O poder das cores nas nossas vidas: # Laranja

Laranja

A cor da recreação e do budismo. Existem 45 tons de laranja.

Por todo canto, há mais laranja do que se vê – a cor subestimada.

O laranja desempenha um papel em nosso pensamento, em nosso simbolismo, um papel subvalorizado. Pensamos no vermelho ou no amarelo antes de pensarmos no laranja. Em função disso, existem apenas alguns poucos conceitos em que o laranja aparece como cor mais frequentemente citada. O vermelho e o amarelo, cores das quais o laranja se constitui, têm em sua simbologia muitas contradições. O laranja muitas vezes denota o verdadeiro caráter de um sentimento, pois o laranja combina as contradições do vermelho e do amarelo, fortalecendo seus pontos em comum.

O laranja, nome que recebeu de uma fruta que naqueles tempos era exótica, conservou-se uma cor exótica. O nome dessa cor é tão fora do comum que não existe em alemão uma palavra que rime com “orange” – nem em inglês. Idiomaticamente a cor é tão estranha que muitos acreditam que o laranja não poderia subsistir sem explicações adicionais, por isso dizem sempre “orangefarben” (cores de laranja) ou “orangerot” (vermelho laranja). As coisas podem ser pretas, muito pretas ou o mais pretas que se possa imaginar; existe também o mais branco dos brancos, mas não existe um superlativo para o laranja. Nesse contexto, o laranja é a personificação da versatilidade!

A estranheza do laranja é determinada por nossa percepção. O fato é que enxergamos menos cores laranja do que as que efetivamente nos cercam. Falamos de “vermelho crepúsculo”, embora “laranja anoitecer” fosse mais exato; e também em “vermelhos da aurora”, os tons vermelhos do alvorecer – apesar de que, aí também, a cor laranja seria mais acertada. Falamos de “monólitos vermelhos”, se bem que haveria mais precisão em chamá-los de “monólitos laranja”, como o Ayers Rock na Austrália. Falamos em “metal vermelho incandescente”, sendo que sua verdadeira cor é laranja. O “peixe dourado” (golden fish) não é, em verdade, dourado, e sim laranja luminoso. O tigre é preto e laranja. Raposas são cor de laranja. Assim também os jovens orangotangos. O bico do melro macho é laranja.  As telhas de nossos telhados são mais propriamente cor de laranja do que vermelhas. A salsicha que chamamos de “amarela” tem também, em verdade, uma pele cor de laranja brilhante. O que é mais indiscutivelmente cor de laranja do que uma cenoura? E no entanto dizemos vermelho cenoura, ou amarelo cenoura. A maioria das pessoas de cabelos vermelhos têm, na verdade, cabelos cor de laranja. Van Gogh fez seu autorretrato na cor laranja.

O laranja está em todo canto, precisamos apenas enxergá-lo.

A cor exótica

Antes que a fruta laranja se tornasse conhecida por toda a Europa, a cor laranja não existia; pode-se procurar em vão pela cor laranja nos livros antigos. Mesmo Goethe chamou ainda essa cor de “vermelho amarelado”. A laranja é proveniente das Índias, “nareng” é como se chama por lá. Das Índias migraram para as Arábias, onde recebeu o nome de “narang”. Logo os cruzados trouxeram-na para a Europa. Quando as laranjas começaram a ser cultivadas na França, os franceses transformaram narang em “orange” – e com essa denominação a fruta ganhava reflexos dourados, pois “ouro”, em francês, é “or”.

A laranjeira é uma árvore extraordinária; pode ter ao mesmo tempo flores e frutos, por isso mesmo se tornou símbolo da fertidade. Desde que as noivas passaram a se casar de branco, as flores de laranjeira, pequeninas, brancas, do formato de pérolas e de aroma inebriante, tornaram-se muito apreciadas para compor grinaldas de noivas.

Existe um outro tipo de laranja proveniente da China, a “apfelsine”. Seu nome significa “maçã da China”. Talvez seu nome venha de “maçã” (apfel) e “pecado” (sin). Será que a apfelsine foi a maçã do pecado, a que foi mordida no paraíso? Laranja ou apfelsine? Laranjas têm sementes e um gosto mais amargo, elas são ideais para a preparação de geleias. As apfelsines não têm sementes e são doces. Entretanto, a diferenciação entre laranjas e apfelsines em termos da ausência de sementes e da doçura já foi esquecida.

Tanto as apfelsines como as laranjas foram antigamente chamadas de “maçãs do Paraíso”. Em velhas pinturas, vemos as frutas na Árvore do Conhecimento frequentemente como laranjas – não era desejável dar uma conotação às endêmicas e tão apreciadas maçãs uma conotação de infelicidade. As tangerinas também vieram da China. Como elas eram da mesma cor das roupas dos funcionários chineses, que eram chamados de “mandarins”, os portugueses desrespeitosamente deram à fruta o mesmo nome concedido a esse departamento. Ter concedido o mesmo nome a um ministério e a uma fruta mostra o quão estranha a cor laranja era na Europa.

A cor que é puro sabor

O laranja é a cor cujo aroma é o mais diversificado. O vermelho é doce, o amarelo é ácido, os sabores agridoces da cozinha asiática são em sua maioria laranja. Muitas coisas que comemos são cor de laranja: damascos, pêssegos, mangas, cenouras, flocos de milho, milho, molhos de salada, camarões, salmão, lagosta, caviar vermelho, vários tipo de salsichas e salsichões; são cor de laranja as flores luminosas da capuchinha e da abóbora. Muitos tipos de queijo têm uma capa laranja avermelhada ou laranja amarelada. Tudo que é empanado e frito, ganhando aquela linda coloração vermelho amarelada, é, na verdade, laranja. Preparados à base de páprica e de caril, diversas aves ficam também cor de laranja. E é naturalmente cor de laranja tudo o que é preparado à base de açafrão, como a bouillabaisse francesa.

Sempre que se bebe um refresco cor de laranja, o primeiro pensamento que se tem é que ele terá o sabor dessa fruta – mesmo se for, por exemplo, uma limonada tingida dessa cor. Porém esse engano não dura muito. Nossas experiências com essa fruta são multifacetadas – e ainda que ninguém espere que o salmão defumado, por exemplo, tenha gosto de laranja, nós sempre esperamos que os alimentos dessa cor tenham bom sabor.

A cor da recreação e da sociabilidade

Cor da diversão, da sociabilidade e do lúdico, esse é o lado mais forte do laranja. Vermelho e amarelo sozinhos operam como opostos muito fortes para sinalizarem sociabilização recreativa, mas o laranja vincula, harmoniza: sem laranja não há lazer. O laranja é a cor complementar do azul. Azul é a cor do espiritual, da reflexão e do silêncio, o seu polo oposto, o laranja, representa as qualidades opostas a essas. Van Gogh disse: “Não existe laranja sem azul” – com isso ele quis dizer que o modo de o laranja atuar com mais força é quando ele vem acompanhado do azul. Quanto mais intenso o azul, mais escuro ele é. Quanto mais intenso o laranja, mais radioso.

No quadro Alegria de viver, de Matisse, o acorde cromático dominante é laranja-amarelo-vermelho, assim como na representação abstrata da Alegria de viver, de Delaunay.

Dioniso – os romanos chamam-no Baco – é o deus da fertilidade, da embriaguez e do vinho, em suma: o deus dos prazeres mundanos. A cor das vestes de Dioniso é laranja. No culto a Baco não existiam sacerdotes, e sim sacerdotisas, as bacantes. Elas trajavam vestidos cor de laranja e coroas de folhas de videira, e celebravam, extasiadas pelo vinho, seu deus.

A cor intrusiva da má publicidade

Dentre as poucas características em que a primeira cor que nos ocorre é o laranja está seu caráter penetrante, intrusivo. Com esse mesmo sentido, o laranja pertence ao acorde → da extroversão e → da ostentação; para essas características, o laranja é citado na mesma porcentagem que o dourado. Naturalmente o penetrante laranja era a cor que menos agradava a estética das cores decentes dos tempos de Goethe. Goethe descrevia o laranja como “vermelho amarelado”. Algumas vezes ele a chamava de “cinabrino”, “mínio” ou ainda “zarcão”, de acordo com a nomenclatura das cores artísticas daquela época – ou o chamava também de “vermelho escarlate”; de qualquer forma, era um vermelho bem amarelado. O “vermelho amarelado” era, para Goethe, “a cor em sua mais alta energia”; era amado pelas crianças, pelos homens primitivos e pelos bárbaros. Goethe escreveu: “Não é de se admirar que pessoas enérgicas, saudáveis e primitivas apreciem tanto essa cor. Entre os selvagens nota-se essa mesma inclinação. E quando as crianças se põem a colorir, elas não economizarão no uso do cinabrino e do zarcão.”

Goethe também deveria estar pensando em si mesmo ao escrever: “Eu também conheci homens cultos que consideravam insuportável, em dias cinzentos, encontrar-se com pessoas trajando vermelho escarlate.” Nos tempos de Goethe, quando se via essa cor, era certamente o uniforme de alguém da polícia: o encontro com policiais – ou outros representantes do Estado autoritário daquela época – só poderia mesmo despertar sentimentos pouco agradáveis, por razões que não dependiam da cor do uniforme que trajassem. Até algum tempo, muitos publicitários recorriam ao caráter visualmente intromissivo – assim, fizeram do laranja uma cor onipresente. Toda publicidade era impressa em papel laranja; os textos publicitários vinham sempre escritos em letras alaranjadas – e cada vez mais consumidores repudiavam essa forma intrusiva de publicidade, olhavam com automatismo para os dois lados do papel laranja e o atiravam no lixo, sem ler. O laranja converteu-se, desde então, na cor que identifica a propaganda indesejada.

Um raro exemplo de recurso bom e criativo, na publicidade, pode ser visto na Fig. 62: nele se combinam a cor e a textura típicas de uma casca de laranja, mas no formato típico de uma pera. Uma gag que merece uma segunda observação.

Controversa, porém não convencional

O laranja, como cor da recreação, é também a cor do que não se leva a sério. Em função disso, o laranja não é uma cor para artigos caros, de prestígio. Bhagwan Shree Rajneesh, hoje em dia conhecido por Osho, prescrevia a seu seguidores que trajassem o laranja. Mas ele próprio próprio jamais se vestiu de laranja, ele sempre se vestiu, como que se igualando aos deuses, de branco e dourado. Apesar de possuir mais de cem Rolls-Royces, nenhum deles era laranja. Um Rolls-Royce na cor laranja seria uma contradição por si só: o luxo ficaria ridicularizado em função da cor.

Que o laranja é a mais controversa das cores, já se sabe por experiência: durante séculos, o laranja foi a cor típica do plástico. No início da era dos plásticos, nos anos setenta, as pessoas sentiam orgulho de seus materiais sintéticos; como não existia nenhum material natural na cor laranja, essa cor foi estabelecida para identificar tudo quanto fosse artificial. Tudo quanto fosse de plástico, fosse um balde ou um espremedor de limão, era apresentado ao consumidor na cor laranja – e às vezes só nessa cor. Fosse uma chave de fenda ou um batedor de ovos, tudo tinha um punho de plástico na cor laranja. Se produtos que são úteis são oferecidos numa só cor, as pessoas acabam comprando, mesmo não gostando dela.

A cor do perigo

Venenos são identificados com uma caveira sobre um fundo cor de laranja.

Todas as setas de luz intermitente dos automóveis são na cor laranja. O laranja luminoso é a cor que melhor se vê no crepúsculo. É com o laranja que se tem o melhor contraste em relação à cor do mar; em função disso, todos os botes salva-vidas, boias e jalecos para naufrágio são dessa cor. Os operários que trabalham nas vias públicas também usam roupas de segurança dessa cor. Os lixeiros, na Alemanha e no Brasil, se vestem de cor de laranja – na França eles vestem uniformes verdes; nos Estados Unidos, uniformes brancos. Na França, a fase amarela do semáforo é chamada de “laranja fogo” (feu orange) – embora seja o mesmo amarelo dos semáforos dos outros lugares.

Apesar das recomendações dos peritos em segurança do trânsito, ninguém escolhe para si um carro cor de laranja, cor de excelente visibilidade na obscuridade e na neblina. Enquanto o automóvel for um ítem de prestígio, a segurança importará menos que a aparência. Um automóvel preto parece ser mais caro do que um alaranjado – apesar de que, na realidade, a pintura na cor laranja é mais cara do que a preta, porque os corantes para ela custam muito mais.

O tipo “outono”: denunciado pela cor laranja

Peças de roupa na cor laranja são mais vistas em mulheres do que em homens, embora poucas mulheres fiquem bem vestidas com essa cor. O laranja é uma cor presente na moda de verão, especialmente adequado para mulheres de pele escura ou bronzeada. Nas mulheres de pele clara, o tom laranja predomina sobre a pessoa, a torna insignificante. Na verdade existe apenas um tipo de pessoa em quem o laranja assenta de forma ideal: é o chamado “tipo outono” no esquema de Jackson → Rosa 12. Ao tipo outono pertencem aquelas pessoas cuja pele tem um tom laranja dourado – mesmo sem bronzeado. A determinação do tom de pele é difícil e só pode ser feita durante a luz do dia. Os tipos outonais são os que ficam mais bem vestidos na cor laranja e em outros tons castanhos, pois essa cor ressalta neles o seu tom natural de pele, laranja dourado.

Em virtude de na Alemanha as roupas marrons serem bastante apreciadas, muitas mulheres alemãs acreditam serem do tipo outonal. Na realidade, entretanto, esse tipo é bem raro. A ele pertencem: Sofia Loren e Sarah Ferguson, a duquesa de York. A duquesa é uma verdadeira “personalidade cor de laranja”: seu cabelo é alaranjado, suas sardas são alaranjadas, todo seu jeito divertido de ser é verdadeiramente laranja. Ela nunca fica tão bonita como quando veste laranja. Só quem tem no laranja sua cor ideal é um tipo outonal. O melhor teste, segundo Jackson: os tipos de outono são aqueles em quem ficam bonitos os lábios pintados de laranja.

A intensificação do amarelo

O laranja fica entre o vermelho e o amarelo em todos os sentimentos que se intensificam. A atividade pode ser amarela, quando for leve e pacífica, laranja, quando for frenética e, finalmente, vermelha, que é a atividade no mais alto grau de excitação. Amarelo-laranja-vermelho é o acorde cromático de uma intensificação. É a dinâmica de um laranja que se esforça para atingir o vermelho. O vermelho é o ponto mais alto, o laranja é o caminho em direção ao objetivo. O laranja pertence também ao acorde → da excitação e da paixão.

E o laranja é a combinação de luz e calor. Dessa forma, ele é agradável em termos de ambiente. Sua clareza não é tão aguda como a do amarelo, sua temperatura não é sufocante como a do vermelho. O laranja clareia e aquece, e essa é a mistura ideal para alegrar o corpo e a mente. Misturado ao branco ou tonalizado de marrom, o laranja perde a sua força, mas jamais seu calor. O laranja é uma cor feminina, pois aspira ao masculino vermelho.

A cor da transformação e do budismo

Na China, o amarelo é a cor da perfeição, de todas as características nobres. O vermelho é a cor da felicidade e do poder. O laranja não é apenas a cor entre a perfeição e a felicidade, tem o seu significado próprio, fundamental: laranja é a cor da transformação. Na China e na Índia, essa cor não é conhecida por ser a cor da fruta cítrica laranja, seu nome vem do açafrão, o corante laranja dessa planta que é tida como a “rainha das plantas”. A ideia da transformação é um dos princípios fundamentais do confucionismo, a antiga religião chinesa. É uma religião sem igreja, sem sacerdotes, sua sumidade é o imperador. O domínio mundano e espiritual estão unidos, assim o confucionismo está igualmente orientado para a vida secular e a vida espiritual. Essa religião é, fundamentalmente, uma filosofia de vida.

Todo ser é concebido como resultante da ação recíproca do Yang, princípio masculino e ativo, e do Yin, princípio feminino e passivo. Yin/Yang não são opostos rígidos, mas se transformam um no outro, pois nada permanece sempre igual. Ninguém vive por si mesmo, todos reagem aos demais. Toda transformação é resultado da ação recíproca entre progresso e perseverança – e apenas a perseverança conduz ao progresso. Os problemas da vida foram interpretados num livro de sabedoria que tem três mil anos de vida, o I Ching; nele os filósofos chineses incorporaram sua sabedoria, de Lao-tsé até Confúcio. O título chinês desse livro, traduzido, significa O livro das mutações.

O laranja significa a transformação, como nenhuma outra cor. Pois o amarelo e o vermelho são inclusive cores opostas, contudo são também aparentadas, se pertencem como o fogo e a luz, como sensualidade e espiritualidade. Diferentemente do cristianismo, o confucionismo não considera a sensualidade como uma força inimiga da espiritualidade. Na arte asiática, o laranja desempenha o mesmo papel que o par cromático vermelho-azul desempenha na arte europeia. Vermelho-azul é nosso acorde cromático com as significações mais diversificadas, capaz de descrever todos os opostos. Na pintura asiática, por toda parte se veem deuses e homens vestidos de laranja. Até mesmo o céu pode ser dessa cor.

Contemporâneo de Confúcio (551-479 a.C.) foi o fundador da religião budista, Buda (560-480 a.C.). A religião monástica logo se disseminou também pela China. Confucionistas e budistas jamais se combateram. No budismo, o laranja, portanto o açafrão, é a cor da iluminação; no pensamento budista ela é o mais alto grau da perfeição. Desse modo, o laranja é também a cor simbólica do budismo. As túnicas dos monges são cor de laranja e são cortadas numa mesma peça de tecido, que é amoldada ao corpo. O peixe dourado é um dos símbolos mais importantes, ele significa a iluminação.

A bandeira da Índia é laranja-branca-verde. Como cor de bandeira, o laranja representa aqui o budismo, simboliza contudo também “coragem” e “espírito de sacrifício”. O Dalai-Lama, figura principal da religião tibetana, está sempre completamente vestido com cores do espectro laranja. A razão mais importante em virtude da qual o laranja é tão altamente apreciado na Índia: é a cor da pele dos indianos. Assim como os homens de pele branca idealizam a cor branca – embora sua pele de modo algum seja um branco radioso –, do mesmo modo os indianos idealizam a cor de sua pele no açafrão. Nas pinturas hindus, as divindades são pintadas com uma pele de uma cor luminosamente alaranjada. Por toda parte, os homens pensam em seus deuses como semelhantes a si mesmos.

O multifacetado laranja da Índia

Na Índia, a cor laranja é percebida com muito mais diferenciações do que na Europa. O que entre nós é definido como um tom de amarelo, na Índia é um tom de laranja. O “amarelo indiano”, obtido a partir da urina das vacas, é um tom de laranja claro, que Dalaunay utilizou em seu quadro A alegria de viver → Fig. 66. Como muitos tons terra, como o ocre queimado e terra de Siena, podem-se pintar em tons laranja – para os europeus esses são tons de marrom.

Muitas plantas podem tingir no tom laranja. A mais importante é o açafrão, que originalmente vinha das Índias Orientais. O açafrão era muito caro na Europa para que se pudesse tingir com ele vestidos inteiros, mas na Índia, os nobres usavam vestidos tingidos de açafrão; as cores podiam ir desde o amarelo-claro até o laranja bem escuro. Muito mais em conta e mais difundida era a tinturaria com açafroa, o “falso açafrão”. Trata-se de um cardo com flores cor de laranja, que inicialmente era cultivado na Índia e na China. Das florezinhas secas obtinham-se dois tipos de corantes: um amarelo, solúvel em água, e um vermelho, solúvel apenas em álcool. O corante amarelo apresentava baixa resistência à luz e desbotava com a lavagem. O corante vermelho era resistente à luz e à lavagem. Na Europa esses dois corantes eram separados: o amarelo era dissolvido em água e utilizado como tintura amarela; o corante que restava era usado para tingir de vermelho escarlate. Na Ásia os dois corantes não eram separados. Calculava-se a alteração de cor típica do tecido que se iria colorir com açafroa; quanto maior frequência com que o tecido fosse lavado, mais vermelho ele ficava. A separação dos corantes também contradiria o pensamento asiático: pois em se tratando da açafroa, o amarelo é o corante efêmero, enquanto na simbologia indiana o amarelo é a cor dos valores eternos.

É possível também tingir de laranja com as sementes do fruto da Bicha orellana, um arbusto cujos frutos por aqui são conhecidos como urucum. As sementes são esmagadas e dissolvidas em água; daí se obtém uma pasta vermelha, homogênea, que tem utilidade também como corante alimentício. As cascas vermelhas dos queijos tipo reino, fabricados no Brasil por holandeses desde o século XIX – uma adaptação do queijo holandês Edam, em forma de esfera – são até hoje tingidas com urucum.

A henna é famosa como corante de cabelos e pele. Com ela se pode tingir também tecidos e couros: os couros tomam uma coloração vermelho acastanhada, a seda e o algodão adquirem um laranja luminoso. O corante é obtido a partir das raízes do arbusto da henna, que é conhecido há muito tempo: algumas múmias de princesas egípcias tinham o cabelo tingido com henna. Para cerimônias tradicionais, as indianas ornamentam suas mãos e seus pés com henna. Os homens tingem suas barbas com ela. Os árabes chegam a tingir até as crinas de seus preciosos cavalos com henna.

A cor dos Orange e dos protestantes

Laranja é a cor nacional dos Países Baixos. É a cor de sua casa real: a casa dos Orange – Oranje. Ainda por volta de 1800, os alemães chamavam a essa cor Oraniengelb (amarelo de Orange). A dinastia dos Orange era originária da cidade de Orange, na França, na Provença. Orange foi, até o século XVIII, um principado independente, e os príncipes de Orange eram ao mesmo tempo os governantes dos Países Baixos. A figura mais importante da nobreza dos Orange, o príncipe William I, organizou, em 1568, a luta dos holandeses contra os espanhóis, que haviam ocupado o país. William I foi assassinado. Sua família deu prosseguimento à guerra pela libertação. A Holanda só foi libertada em 1648, sob o governo de William II. Seu filho, William III, foi rei da Inglaterra e da Irlanda após a derrocada dos católicos Stuart, em 1689; ele foi chamado de William de Orange.

Como todos os Orange, William de Orange era protestante; desse modo, na Inglaterra e na Irlanda os protestantes eram chamados de “Orangemen” (homens de Orange). O laranja tornou-se a cor da luta contra os católicos. A cor dos católicos irlandeses era o verde, pois verde é a cor nacional da Irlanda e deveria ser também cor da religião tradicional do país → Verde 19. A bandeira irlandesa é tricolor, verde-branco-laranja. A lista branca entre o verde católico e o laranja protestante deve simbolizar a paz alcançada entre as duas religiões. O reino da Holanda tem em sua bandeira nacional as cores vermelho, branco e azul – apesar de que, em honra aos Orange, esse vermelho é chamado de laranja, e os holandeses dizem que sua bandeira é oranje-blanje-bleue.

Quando um membro da casa real aniversaria, seus leais súditos enfeitam suas casas com bandeirolas cor de laranja. A rainha Beatriz aparece em muitas fotografias com rosas alaranjadas. Ela também gosta de se vestir de laranja, indo do pêssego ao vermelho aloirado. Em eventos esportivos internacionais, os holandeses homenageiam suas equipes vestindo camisas cor de laranja e se autodenominam “os camisas laranja”. Na Holanda a cor laranja é muito mais apreciada do que na Alemanha. Isso naturalmente se faz ver também no idioma: para os holandeses, “alaranjado”, “mais alaranjado”, “o mais alaranjado de todos” não é uma impossibilidade idiomática – é, simplesmente, uma evidência, poder se dimensionar uma cor tão forte como o laranja.

Referência

Heller, Eva. A psicologia das cores:como as cores afetam a emoção e a razão. 1 ed.  São Paulo:Gustavo Gili. 2013.

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Epigenética, o que é?

Oi gente, hoje queria compartilhar com vocês um assunto que gosto bastante, epigenética. Descobri esse nome durante a faculdade e também antes de conhecer, sempre acreditei que temos uma memória celular(estava certa). Não vou trazer uma explicação biológica  a partir de mudanças químicas que podem ocorrer na molécula de DNA e em proteínas, mas quem tiver interesse em saber mais, pode usar o artigo de referência e o “more”.

O termo “epigenética” tem origem do grego, onde “epi” significa “acima, perto, a seguir”, e estuda as mudanças nas funções dos genes, sem alterar as sequências de bases (adenina, guanina, citosina e timina) da molécula de DNA (ácido desoxirribonucleico). As modificações epigenéticas podem ser herdadas no momento da divisão celular (mitose) e irão ter um profundo efeito na biologia do organismo, definindo diferentes fenótipos (i.e. morfologia, desenvolvimento, comportamento etc).

Epigenética  é definida como modificações do genoma que são herdadas pelas próximas gerações, mas que não alteram a sequência do DNA. Por muitos anos, considerou-se que os genes eram os únicos responsáveis por passar as características biológicas de uma geração à outra. Entretanto, esse conceito tem mudado e hoje os cientistas sabem que variações não-genéticas (ou epigenéticas) adquiridas durante a vida de um organismo podem frequentemente serem passadas aos seus descendentes. A herança epigenética depende de pequenas mudanças químicas no DNA e em proteínas que envolvem o DNA.  Existem algumas características que distinguem a epigenética dos mecanismos da genética convencional: a reversibilidade, os efeitos de posicionamento, a habilidade de agir em distâncias não esperadas maiores do que um único gene.

 

Referência

Epigenética e  memória celular. Disponível em:>http://www.revistacarbono.com/wp-content/uploads/2013/06/Marcelo-Fantappie-Epigen%C3%A9tica-e-Mem%C3%B3ria-Celular.pdf<. Acesso em:23. Mai.2018.

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Top 20 piores seria killers: 5 Albert Fish

Albert, até agora, foi de longe o que mais detestei, canibal e molestador de crianças. Existem muitas fontes com informações divergentes, tentei ao máximo trazer as mais verídicas sobre ele. Seu nome verdadeiro era Hamilton Howard Fish. AH, É TEXTÃO.

Albert Hamilton Fish, nasceu em 19 de maio de 1870 no distrito  de Columbia, Washigton. Tinha muitos parentes com problemas mentais, aos 5 anos o pai sofreu um ataque cardíaco e a mãe o deixou em um orfanato até que as coisas melhorassem financeiramente. Durante esse tempo, Albert sofria muitas agressões e acabou percebendo que gostava de sentir dor física ao ponto de ter ereções ao ser espancado, o que o influenciou a gostar do sadomasoquismo¹. Dois anos depois, sua mãe conseguiu um emprego e o tirou do orfanato. Após a morte de um de seus irmãos e depois de conseguir escapar das monstruosidades do orfanato, Hamilton Howard Fish desejou mudar seu nome para Albert Fish, nome pelo qual ele ficou famoso no mundo inteiro através de seus feitos. Ele se justificou nessa mudança de nomes dizendo que odiava um apelido que os garotos lhe deram lá: “Ham & Eggs”, um trocadilho com seu nome verdadeiro que sugeria o recheio de um lanche “Presunto e Ovos”.

Aos 9 anos, sofreu um queda de um pé de cerejeira e teve ferimentos graves na cabeça o que causou dores de cabeça fixa e alguns problemas decorrente da queda. Com 12 anos, começou as e relacionar com um rapaz que trabalhava no telégrafo, que o incentivou a beber urina e a praticar coprofagia². Fish começou a visitar casas-de-banho públicas onde observava rapazes a despirem-se e aí passava grande parte dos seus fins-de-semana.  Na juventude, Fish começou a trabalhar com prostituição e a estuprar meninos novinhos – ele tinha preferência por menores de 6 anos de idade.

Aos 30 anos, sua mãe arranjou um casamento com uma mulher nove anos mais nova. Eles tiveram seis filhos: Albert, Anna, Gertrude, Eugene, John e Henry Fish. Isso, porém, não afetou o seu sadismo, que estava cada vez pior. Ele largou a prostituição, se mudou para No York e se tornou pintor de casas. Só que quando um de seus amantes levou-o a um museu de cera, Fish ficou fascinado com a bissetriz de um pênis. Pouco depois desenvolveu um interesse mórbido por castração e ficou obcecado pela mutilação sexual. Fish começou a intensificar as suas idas a bordéis, onde podia ser chicoteado e agredido. Em 1903 (33 anos), ele foi preso por furto e foi condenado à prisão em Sing Sing, prisão de segurança máxima no Estado de Nova Iorque, lugar onde teve muitos outros relacionamentos doentios com outros presos.

Em janeiro de 1917, sua mulher fugiu e deixou os seis filhos com Albert. Teve de criar seus filhos como pai solteiro. Fish contou a um jornal que quando sua esposa o deixou, ela levou quase todos os bens da família. Foi por volta dessa época que Fish começou a ouvir vozes e praticar auto-mutilação. Embora nunca tenha cogitado agressão física ou abuso sexual em seus filhos, ele os incentivava a bater em suas nádegas com a mesma raquete cravejada de pregos que ele usou para abusar de si mesmo. só cessava quando seus glúteos ficavam em carne viva e jorrando sangue. Gostava também, de enfiar agulhas no seu corpo – especificamente entre o ânus e os testículos(um raio-x na prisão revelou 29 agulhas inseridas em sua região pélvica, algumas corroídas pelo tempo, como meros fragmentos.). Algumas perfuravam tão profundamente a carne que sua remoção era impossível.

Fish cometeu diversos crimes mas, só foi descoberto em 1934, idoso,  porque enviou uma carta para mãe de uma das sua vítimas. Em 1935, Fish foi julgado e condenado a morte por eletrocutamento. Albert foi eletrocutado em janeiro de 1936,  na prisão de Sing Sing, em Nova York. As diversas agulhas alojadas em seu corpo ao longo de toda a vida causaram um curto-circuito, interrompendo o fluxo de eletricidade na cadeira. Foram assim necessárias duas descargas elétricas para matá-lo.

Vou deixar abaixo alguns links que contam detalhes de alguns crimes cometidos por Fish.

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¹perversão sexual que resulta da combinação de sadismo e masoquismo
² ingestão de fezes.

Referência

Albert Fish o devorador de crianças. Disponível em:>https://canalcienciascriminais.com.br/albert-fish-o-devorador-de-criancas/&lt;. Acesso em: 24. Abr. 2018.

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