Crianças psicotapas

Existem muitos estudos sobre a psicopatia estar intrínseco no indivíduo desde o nascimento ou se durante algum processo traumático é desencadeado o distúrbio, porém uma coisa é fato existem crianças que cometem crimes com características psicopatas.  E esse post irá trazer alguns casos verídicos sobre essas crianças.

O distúrbio psicopático em grande parte dos casos tem origem em abusos ou maus tratos sofridos durante a infância. Segundo o psiquiatra Fábio Barbirato traços de psicopatia podem ser constatados a partir dos três anos de idade; em paralelo existe o estudo da
professora Essi Viding que afirma a origem genética da doença psicológica, onde há
uma certa fragilidade da criança que pode demonstrar a personalidade psicótica. Geralmente os pequenos psicopatas têm idade entre cinco e sete anos e possuem
incapacidade de sentir empatia, apresentam mau comportamento e egocentrismo
exacerbado, chantageiam e manipulam emocionalmente.

Para os que pensam que essa realidade está muito distante, há casos relatados em alguns estados do Brasil, porém não são muito divulgados por não apresentarem um indício de psicopatia. É necessário distinguir a maldade típica da idade de distúrbios, lembrando que só é um transtorno quando aumenta o nível de acordo com o aumento das ocorrências. O principal obstáculo para o tratamento é o senso comum que faz com que as pessoas não enxerguem problemas nas crianças, como é visto nas frases corriqueiras “criança não mente” ou até “criança não tem maldade”. E o ápice desse tabu é a cegueira seletiva, onde tanto os pais quanto os profissionais buscam encontrar justificativas para os atos em outros transtornos. Já de acordo com a Associação Americana de Psiquiatria, antes dos 18 anos não é possível uma criança ser chamada de psicopata, pois sua
personalidade ainda não está totalmente formada, isto é, essa mesma criança que
apresenta algum tipo de transtorno pode e deve, desde o princípio ser acompanhada
e tratada. Com o tratamento correto, muitas crianças podem ser reinseridas na
sociedade.

O TEXTO ABAIXO CONTÉM RELATOS FORTES DE CONOTAÇÃO VIOLENTA. 

Alguns casos

Jon Venables e Robert Thompson.

Duas crianças de apenas 10 anos foram condenados por matar brutalmente um menino, James Bulger,  de dois anos em 1993.  A mãe de James foi ao shopping com ele, entrou em uma loja e se distraiu. Jon e Robert viram o menino brincando sozinho e o atraem como se fossem amigos. Venables e Thompson levaram James até um canal a 4 quilômetros do shopping. Lá, os meninos o empurraram no chão. James machucou a cabeça e o rosto. Continuaram andando pela cidade até chegar a estação de trem Walton & Anfield que estava em desuso. Ali torturaram James.

Jogaram tinta azul, roubada de uma loja no caminho, nos olhos de James, chutaram-no, bateram-no e ainda jogaram pedras e tijolos no menino. Pilhas foram encontradas em sua boca. Venables e Thompson atiraram uma barra de ferro de aproximadamente 10 quilos sobre sua cabeça. No total foram 42 lesões e eram tantas, que nenhuma pode ser constatada como a fatal. Amarraram o corpo de James no trilho de trem próximo para tentar fazer parecer um acidente. Quando o trem passou, seu corpo foi cortado ao meio. Dois dias depois, seu corpo foi encontrado por crianças que brincavam por ali. Os suspeitos foram presos após Venables ser reconhecido por uma mulher.

Eles foram os assassinos mais jovens da história a serem condenados. A pena era de que eles ficariam presos até a maioridade e depois seriam soltos com novas identidades, assim como suas famílias. Quando completaram 18 anos, o governo lhes concedeu nova identidade e nova moradia. Pouco se sabe deles desde então. Apenas que Venables teve problemas com a justiça sob denúncia de pornografia infantil.

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Mary Flora Bell

Um dia antes de completar onze anos, Mary cometeu seu primeiro assassinato, pouco tempo depois matou novamente. Suas vítimas foram dois menininhos, Martin Brown de 4 anos e Brian Howe de 3 anos. Houve outras acusações de tentativas de estrangulamento dela contra quatro meninas.

Mary Flora Bell nasceu em 26 de maio de 1967, em Newcastle Upon Tyne – Scotswood, Inglaterra. Nascida em um lar completamente desestruturado, era filha ilegítima de Beth Bell, uma prostituta de 17 anos de idade e mentalmente perturbada. Além de ser ausente. Bell nunca chegou a conhecer seu pai. Mary e seus irmãos tratavam o padrasto Billy Bell, como tio, pois assim a mãe dela receberia auxílio do governo.
Durante a infância, Mary era constantemente humilhada pela mãe devido ao fato de urinar na cama. Betty esfregava o rosto da filha na urina e pendurava o colchão molhado no lado de fora da casa para todos verem. Beth também levou a filha para uma agência de adoção, mas não conseguiu que a filha fosse adotada. Beth aplicava castigos severos na filha; nas inúmeras tentativas de se livrar de Mary, entupiu a menina de remédios fazendo com que Mary fosse parar no hospital para fazer uma lavagem de estômago. O mais perturbador para Mary era quando Beth permitia – forneceu o consentimento – que ela fosse abusada sexualmente, sendo forçada a participar dos jogos sexuais da sua mãe com os clientes diversas vezes. Isso tudo antes dela completar 5 anos de idade!
Com isso, Mary desenvolveu seu passatempo favorito: maltratar animais. Além disso, ela adorava destruir suas bonequinhas e não chorava quando se machucava. Aos 4 anos tentou matar um coleguinha enforcado, e aos 5 presenciou sem nenhum tipo de emoção o atropelamento de um outro amiguinho. Depois que aprendeu a ler ficou incontrolável. Pichava paredes, incendiou a casa onde morava e torturava animais com maior frequência.
Em maio de 1968, dois meninos procuravam pedaços de madeira em uma casa em ruínas, quando se depararam com um cadáver de um menino louro; o menino era Martin George Brown de 4 anos. Ele estava deitado próximo a uma janela, com sangue e saliva escorrendo pelo rosto, os meninos alertaram os operários de uma construção perto dali; um dos operários tentou reanimar a criança, mas o menino já estava morto.  A polícia chegou ao local, e viu que Martin havia sofrido várias lesões na cabeça e não havia sinais de violência. A polícia acreditou que a causa da morte fora acidente e o caso permaneceu em aberto. A população exigiu das autoridades que se tomassem medidas para o perigo representado pelos prédios abandonados.
A segunda vítima foi Brian, ele tinha ido brincara e não voltou para casa, sua irmã Path Howe foi procurá-lo e Mary se ofereceu para ajudar, mas na verdade ela já havia matado o garoto e conduziu Path ao local. Bell estrangulou até a morte Brian Howe, de 3 anos. Além de estrangulá-lo, a pequena Mary Bell ainda fez cortes em suas pernas e furou seu abdômen marcando um M. O corpo do menino estava coberto de grama, e uma tesoura foi encontrada ao lado do corpo.
No verão de 1968 a polícia começou a interrogar os moradores de Scots Wood, principalmente as crianças. No total, mais de 1200 crianças foram ouvidas. A primeira criança a ser interrogada foi Norma, uma amiga de Mary que teve participação no crime. Inicialmente ela mentiu, dizendo que viu um menino agredindo Brian, Mary informou a mesma coisa ao ser interrogada.  Antes do enterro de Brian, os policiais interrogaram Norma novamente; dessa vez ela entregou Mary, dizendo que ela havia matado Brian e que levou ela e Pat para o local do crime.
O veredito saiu em 17 de Dezembro de 1968: Norma foi inocentada de todas as acusações; Mary Bell, culpada foi condenada por assassinato em função de redução de responsabilidade. Mary Flora Bell foi enviada para a Red Bank Special Unit, uma clínica altamente segura e de certa forma confortável.
 O tempo passou, e após muitos tratamentos e avaliações ela foi liberada em 14 de maio de  1980, com 23 anos. Casou e engravidou; e devido ao seu passado teve que lutar pelo direito de criar sua filha, que nasceu em 1984. Ela tem sua nova identidade e endereço mantidos sob sigilo pela “Ordem Mary Bell”, uma Lei criada em 21 de maio de 2003 na Inglaterra que protege a identidade de qualquer criança envolvida em procedimentos legais.
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Cristian Fernandez
Foi acusado de ter matado por espancamento seu meio-irmão David, de 2 anos, e de ter atacado sexualmente seu outro meio-irmão, um menino de 5 anos em 2011. O caso chamou atenção não apenas pela idade de Cristian, mas também pelo passado de abusos e de violência a que o próprio acusado foi submetido no ambiente familiar ao longo de sua vida e por ser julgado como se fosse maior de idade por um tribunal do distrito de Duval County.

Cristian nasceu marcado pela violência. Sua mãe, Bianella Susana, deu à luz o menino quando tinha apenas 12 anos. O pai de Cristian foi condenado a 10 anos de prisão por ter estuprado a, então, pré-adolescente. Quando tinha dois anos de idade, o menino foi encontrado vagando de madrugada pelas ruas do sul da Flórida, despido e mal cuidado. A avó, que era a responsável pelo menino, estava trancada havia horas no quarto de um hotel de estrada, em uma maratona de uso de drogas.

Alguns anos mais tarde, em 2007, o Departamento de Crianças e Famílias da Flórida investigou uma alegação de que Cristian havia sido abusado sexualmente por um primo. O menino também começou a dar sinais de distúrbio de comportamento, com um histórico de relatos às autoridades locais de que ele havia matado um filhote de gato, além de ter simulado atos sexuais e se masturbado na escola. Mesmo assim, Cristian apresentava um excelente desempenho acadêmico.

Em 2010, foi constatado que o menino vivia novamente em um ambiente violento. O marido de Bianella deu um soco no olho de Cristian, fazendo com que sua escola o encaminhasse a um hospital.  Ao chegar à residência da família, em um subúrbio de Miami, para investigar a agressão a Cristian, a polícia encontrou o padastro do menino morto. A causa da morte indicava suicídio com arma de fogo.

A morte de David, o irmão mais novo de Cristian, aconteceu em 2011. Biannela, de 25 anos, deixou os filhos em casa sozinhos, e quando voltou David já estava inconsciente, na sala, arremessado contra uma estante de livros. Ele sofreu fratura no crânio, hematomas no olho e sangramento no cérebro. Biannella admitiu depois que, antes de chamar a polícia, procurou durante quatro horas na internet informações sobre concussões em crianças.

Cristian foi condenado a prisão perpetua pela morte de David e pelo abuso sexual do meio-irmão. Ele foi a pessoa mais nova a ser condenada, na época ele tinha 13 anos. Os advogados de defesa ainda tentam reverter a decisão, visto que o Supremo Tribunal dos Estados Unidos decidiu que é inconstitucional que adolescentes infratores sejam condenados à prisão perpétua.

 

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Trouxe três casos para o post não ficar enorme, mas lá embaixo vocês podem ter acesso a mais informações. Podemos observar nos casos acima que as crianças que cometeram algum tipo de crime sofreram certos tipos de trauma e/ou abuso mas, não existe nenhuma comprovação 100% científica de que os crimes cometidos são consequência de traumas e abusos sofridos. Alguns estudiosos acham que é genético, outros acreditam que a personalidade da criança está formada( essa teoria é baseada nos crimes premeditados) e que devem ser julgadas com o mesmo rigor da lei se fosse para um adulto.

Referência

Caso Mary Bell. Disponível em:>https://psicologia-forense.blogspot.com.br/2012/11/caso-mary-bell.html<. Acesso em: 09.Abr. 2018.

Menino de 13 anos é julgado nos EUA por matar irmão caçula e abusar sexualmente do irmão de 5 anos. Disponível em:>https://extra.globo.com/noticias/mundo/menino-de-13-anos-julgado-nos-eua-por-matar-irmao-cacula-abusar-sexualmente-do-irmao-de-5-anos-6117478.html<. Acesso em: 09.Abr. 2018.

Menor que matou irmão de 2 anos gera debate sobre Justiça nos EUA. Disponível em:>http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/09/caso-de-menor-que-matou-irmao-de-2-anos-gera-debate-sobre-justica-nos-eua.html<. Acesso em: 09.Abr. 2018

O assassinato de James Bulger por dois garotos de 10 anos. Disponível em:>https://maringapost.com.br/ahduvido/o-assassinato-de-james-bulger-por-dois-garotos-de-10-anos/<. Acesso em: 09.Abr. 2018.

Pra saber mais: crianças psicopatas. Disponível em:>http://oaprendizverde.com.br/2012/10/11/pra-saber-mais-criancas-psicopatas/<. Acesso em: 09.Abr. 2018.

Psicologia jurídica e a compreensão da psicopatia infantil. Disponível em:>http://www.santacruz.br/ojs/index.php/JICEX/article/view/952<. Acesso em: 09. Abr. 2018.

Beth Tomas: o anjo malvado.

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