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O poder das cores nas nossas vidas: # Violeta.

Violeta

Do púrpura do poder à cor da teologia, da magia, do feminismo e do movimento gay. Existem 41 tons de violeta.

Cor mista, com sentimentos ambivalentes

Violeta é a cor dos sentimentos ambivalentes. As pessoas mais a rejeitam do que apreciam. Para 12% das mulheres e 9% dos homens, o violeta é a cor menos apreciada. Apenas 3% das mulheres e dos homens citaram o violeta como cor predileta. Excetuando-se os poucos períodos em que esteve na moda, o violeta nunca foi especialmente apreciado. Para explicar essa rejeição, muitos argumentam não saber diferenciar, dizem que não sabem distinguir entre o violeta e o lilás. A diferença: o violeta é a mistura de vermelho com azul – o lilás tem, além dessas cores, o branco.

Antipatizar com algumas cores não representa problema para as pessoas que não trabalham com elas. Os artistas, entretanto, precisam conviver com todas elas, conhecer o efeito de cada uma delas. O professor da Bauhaus, Johannes Itten, obrigava seus alunos a usarem com maior frequência aquelas cores de que eles menos gostavam. Naturalmente, a maioria dos alunos descobria então que as cores de que menos gostavam tinham uma beleza que eles não imaginavam. Em nenhuma outra cor se unem qualidades tão opostas como no violeta: é a união do vermelho e do azul, do masculino e do feminino, da sensualidade e da espiritualidade. A união dos opostos é o que determina a simbologia da cor violeta.

O violeta tem um passado grandioso. Na Antiguidade, era a cor dos que governavam, a cor do poder. Esse tom de violeta é o púrpura.

Lilases, hematomas e violência

O lilás e o violeta são as cores mais raras na natureza. Os dois nomes dessas cores são, na maioria das línguas, idênticos aos das poucas flores que têm a cor violeta ou lilás. “Lilás” é a cor da flor de mesmo nome; em inglês ela se chama “lilac”; em francês, “lilas”. “Violet” e “violette” são, igualmente, tanto as flores quanto as cores em inglês, em francês e também em português. O alemão “Veilchen” contém também o radical da palavra “violeta”. O elemento químico “iodo” foi batizado em homenagem à flor violeta: em grego antigo, “violeta” é “íon”, radical de onde surgiu “iod”. Quando o iodo é aquecido, ele produz um vapor de coloração violeta.

É digno de nota observar a proximidade entre os termos “violeta” e “violência”. Em italiano, o nome da flor é “viola” – contudo, “violenza” é “violência” e “violare” corresponde ao verbo “violar”. Tanto na Inglaterra quanto na França, “violência” se diz “violence”, e em ambas temos também “violation”, “violação”. É historicamente plausível que essa ligação tenha surgido em virtude do púrpura, pois o violeta púrpura era na Antiguidade a cor dos governantes. Assim, essa cor, no tom púrpura, tornou-se a cor do poder. E o nome da violeta transformou-se no nome da violência.

A cor do poder

Já no Velho Testamento a púrpura é mencionada como cor de alto preço. Moisés recebe instruções de Deus acerca de quais cores os véus dos templos e as vestes sacerdotais devem ter: púrpura azulada, púrpura rubra e vermelho escarlate, bordadas em ouro. Púrpura azulada e púrpura rubra – isso significa púrpura feita a partir de dois tipos de caramujos; a cor variava também em função de alguns aditivos que eram utilizados, e que eram secretos. O vermelho escarlate, a segunda cor mais cara da Antiguidade, era o vermelho produzido a partir de piolhos.

A cor com que se deveria honrar a Deus era também, na Antiguidade, a cor dos soberanos. Quando o rei Baltazar bebeu vinho nas taças de ouro roubadas por seu pai de um templo em Jerusalém, apareceram desenhadas na parede as enigmáticas palavras “Mene mene tekel u-par-sin” e o rei, assustado, prometeu as mais altas honrarias a quem fosse capaz de decifrar o sentido dessas palavras: “Quem for capaz de ler as palavras e explicar seu significado será vestido de púrpura e receberá uma corrente de ouro no pescoço.” Vestir púrpura era um privilégio maior do que usar ouro.

A preparação de uma vestimenta púrpura durava anos: através das rotas das caravanas se transportava a seda da China e de Damasco, na Síria; ali ela era tecida pelos melhores tecelões de seda do mundo. Em seguida os tecidos eram levados a Tiro, na Fenícia, onde eram tingidos de púrpura. E de Tiro os tecidos tingido seguiam para Alexandria, no Egito, onde eram bordadas a ouro.

No Império Romano, somente o imperador, sua mulher e o herdeiro podiam vestir túnicas na cor púrpura.  Aos ministros e altos funcionários era permitido usar somente uma borda púrpura na túnica. Usar sem permissão a cor púrpura era punido com a pena de morte. Júlio César decretou que os senadores poderiam usar faixas púrpura na toga, porém ele era o único que podia trajar uma túnica inteiramente púrpura. Cleópatra, rainha do Egito, que não tinha de obedecer ao decreto de César, tingiu de púrpura a vela de seu barco.

Por volta do ano 300, o imperador Diocleciano decretou a tinturaria da púrpura um monopólio imperial. Ele mudou as tinturarias para Bizâncio, mais tarde Constantinopla e atualmente Istambul. Os imperadores romanos orientais conservaram em segredo o tingimento com púrpura. A púrpura era, por lei, a cor imperial. A tinta com que o imperador assinava também era púrpura, e essa tinta ficava sob a guarda de um funcionário que portava o título de “guarda do escritório imperial”. O aposento onde a imperatriz dava à luz seus filhos era todo atapetado de seda púrpura.

Nos mosaicos de São Vitale, em Ravena, o imperador Justiniano e a imperatriz Teodora, em companhia de sua corte, mostram que é dever de cada pessoa saber que quantidade de púrpura ela carrega. O imperador está totalmente envolto em púrpura. Como, além disso, ele era também o cabeça da Igreja, leva ainda uma auréola. Junto dele um bispo – sem auréola – luz numa estola dourada sobre uma túnica branca, mas carrega apenas a quantidade permitida de púrpura: as bordas das mangas e as bordas da túnica. Os mais altos funcionários podiam usar, costurados em suas túnicas, um retângulo grande de tecido púrpura. Diante do imperador está a imperatriz Teodora. Ela também usa auréola e está totalmente vestida de púrpura. As damas de sua corte que tiveram a honra de ser eternizadas no mosaico não estavam autorizadas a levar nada na cor púrpura.

Os historiadores da arte Hagen y Hagen citam, em sua descrição dos mosaicos ao historiador Procópio, contemporâneo de Teodora, que em 532, ano em que houve uma rebelião, a imperatriz se recusou a partir para o exílio. Ela esclareceu: “Não quero jamais ter de renunciar ao púrpura, e não quero jamais viver nem sequer um dia em que minhas acompanhantes não se dirijam a mim como sua imperatriz. O púrpura faz uma boa mortalha.” Teodora ordenou que a revolta fosse reprimida. Houve quarenta mil mortos, mas a coroa estava a salvo. Quando morreu, em 548, foi enterrada com uma túnica púrpura.

O púrpura continuou sendo a cor do poder – enquanto o púrpura autêntico existiu. As telas tingidas de púrpura chegavam ao Ocidente apenas como presentes dos imperadores bizantinos. O manto púrpura que Carlos Magno vestiu quando foi coroado foi um presente de Bizâncio. Porém, desde 1453, quando Constantinopla foi conquistada pelos turcos, o púrpura desapareceu. As tinturarias imperiais foram destruídas e os tintureiros, assassinados. O ocaso do Império Romano do Oriente foi também o fim do tingimento com o púrpura dos caramujos. A partir de então passou a ser o carmim, a tinta vermelha dos piolhos, a mais cara das cores. E foi assim que o púrpura passou a ser vermelho.

A cor da teologia

No acorde da devoção, o branco é a cor divina; o preto é a cor política; o violeta é a cor da teologia. A única instituição pública cujos ministros trajam violeta é a Igreja Católica. Violeta é a cor do escalão de bispos e de prelados, cujas batinas, nos atos oficiais, são dessa cor. Também nas batinas de uso diário, pretas, o escalão é dado a conhecer: na batina dos bispos os botões são violeta, na dos cardeais são vermelhos. O violeta eclesiástico também teve sua origem no púrpura. A cor do poder temporal é, na interpretação eclesiástica, a cor da eternidade e da justiça. Assim a Igreja resolveu o dilema de, apesar de lutar pelo poder, se apresentar como humilde servidora de Deus.

Enquanto existiu o autêntico púrpura de caramujo, o violeta foi a cor dos cardeais de mais alta posição. Antigamente, um cardeal costumava ter mais poder e dinheiro do que um rei. Porém, poucos anos depois que a tinturaria do púrpura desapareceu de Constantinopla, o papa Paulo II ordenou, em 1464, que as vestimentas dos cardeais passassem a ser tingidas de vermelho. Agora o “púrpura dos cardeais” passou a ser o vermelho levemente azulado. As vestes dos bispos de graduação mais baixa passaram a ser tingidas com uma mistura de carmim com o índigo, cor bem menos dispendiosa – mistura que resultava no violeta. Assim, o escalonamento das cores foi rearranjado de acordo com seu preço.

Quando os professores das universidades ainda usavam vestes talares, os professores de Teologia apareciam com boinas violetas. Em muitas universidades o próprio talar era violeta, mas na maioria dos casos o talar era preto com a borda violeta. Na Igreja Evangélica, o violeta permanece até hoje como cor eclesiástica. Nos dias em que há serviço religioso içam-se bandeiras brancas com uma cruz violeta. As placas para anunciar o serviço religioso evangélico mostram uma igreja cor de violeta . No romance de Alice Walker, A cor púrpura, flores lilases do campo simbolizam o fato de Deus estar em tudo e em todos. A cor lilás ou violeta é aqui, também, a cor do divino e da fé.

A mais singular e extravagante das cores

À primeira vista, quando se vê uma pessoa vestida de violeta não se pensa em humildade, recato ou penitência – o violeta é percebido como uma cor extravagante. Violeta-prata-ouro é o acorde da elegância não convencional, ao contrário do preto-prata-ouro, que é o acorde da elegância tradicional. O violeta é a mais singular das cores. Nada do que vestimos, nada do que nos rodeia é violeta por natureza. O que existe na cor violeta existe sempre também em muitas outras cores. O violeta denuncia que a escolha foi conscientemente direcionada para uma cor especial.

Ninguém usa o violeta de forma impensada, como se usa o bege, o cinza ou o preto. Quem se veste de violeta quer chamar a atenção, distinguir-se da massa. Quem escolher o violeta sem verdadeiramente apreciá-lo dá a impressão de estar disfarçado, transmite a impressão de que a cor tem mais força do que a pessoa que a usa. Quem se veste de violeta tem que saber por que motivo o faz.

Quando Elizabeth Taylor esteve casada com o político republicano John Warner e o acompanhava em suas campanhas, não podia nunca usar o violeta – sua cor predileta, que combinava com seus olhos – porque o partido achava que uma cor que costumava ser usada por reis não era a mais adequada para um partido que se chamava republicano. Quando Warner venceu as eleições, Elizabeth celebrou a vitória usando um conjunto de calça e paletó na cor violeta.

A cor da magia, da metempsicose e do signo de Gêmeos

Violeta é a cor da magia. Entretanto, o preto foi citado com maior frequência – isso porque as pessoas, espontaneamente, fazem a associação com o termo “magia negra”; contudo, é só por meio do violeta que o preto se torna mágico e misterioso. O que veste um feiticeiro? “Uma túnica violeta!”, a maioria diz de forma espontânea. Também as bruxas malvadas se vestem de violeta, as fadas bondosas se vestem de lilás.

O violeta dos magos está inscrito na tradição do púrpura. Quando Moisés anunciou aos israelitas que os sacerdotes deveriam vestir túnicas de cor púrpura, tantos os sacerdotes quanto os magos ainda eram os mediadores do além, possuíam o mesmo status. Como complementar ao amarelo, que é a cor do entendimento, o violeta é a cor da fé – e também da superstição.

O violeta vincula a sensualidade à espiritualidade, sentimento e intelecto, amor e abstinência. No violeta todos os opostos se fundem. O violeta é a cor mais íntima do arco-íris, ele se transmite ao invisível ultravioleta. Assim, o violeta marca a fronteira do visível com o invisível. Antes de cair a noite, o violeta é a última cor que antecede a escuridão total.

Na simbologia indiana, o violeta é a cor da metempsicose, a transmigração das almas. Na psicologia moderna é a cor dos alucinógenos, que devem abrir a consciência a estímulos irreais. Eles são frequentemente negociados sob denominações violeta como “purple heart” ou “purple rain”. Em 1970, o tema da década era a “expansão da consciência”; sincronisticamente o violeta foi eleito a cor da moda. À época, alcançava fama a banda de rock Deep Purple.

O violeta simboliza o lado sinistro da fantasia, a busca anímica, tornar possível o impossível. A obra do pintor surrealista Brauner Gêmeos, simbolizando o signo astrológico do mesmo nome, à qual foram atribuídos poderes proféticos, liga o laranja, a cor das mutações, com a magia do violeta.

A maioria dos astrólogos vincula o violeta ao signo de Gêmeos, pois, assim como acontece com o signo de Peixes, sempre representado por dois peixes, o signo de Gêmeos também é representado por um ser duplicado, no qual os opostos se unem e que vai se transformando sempre em seu contrário. “Duas almas habitam, ai!, em meu peito”, esse deveria ser o tema condutor do signo de Gêmeos, e elas estão simbolizadas nos opostos vermelho e azul, masculino-feminino.

O signo de Gêmeos é regido pelo planeta Mercúrio, que é o deus do comércio – e comerciar significa sempre, também, transformar. Nenhuma cor se adequa melhor a esse signo do que o mutável, talvez também inconstante violeta.

A cor da sexualidade pecaminosa

O mais belo de todos os pecados é, para muitos, a sexualidade. Somente por meio do violeta o vermelho ganha uma vibração indiscutivelmente sexual. Vermelho-violeta-preto-rosa, não importa em que sequência, é o acorde → da imoralidade, → da sedução, → da sexualidade. O violeta contém mais sexo do que o vermelho. E esse é o mistério do violeta. Oscar Wilde chamou a sexualidade proibida de “as horas violetas no tempo cinzento”. E Keats, o famoso poeta, criou fantasias sobre o “palácio dos doces pecados, atapetado de violeta”.

Existe nos Estados Unidos um coquetel que é tão famoso quanto temido, denominado “purple passion” (paixão púrpura), que, em virtude de seu alto teor alcoólico, promete conduzir a uma sexualidade livre de inibições.

A cor dos originais e dos inconformistas

O violeta pode ser considerado como típica cor da moda – apesar de só muito raramente se tornar um hit. Muitos avaliam o violeta como excessivamente ousado. No acorde do que se considera estar “em voga”, predomina o preto – a cor favorita do vestuário jovem; mas “moda”, na real acepção da palavra, o preto não é –pois ele é atemporal. Realmente “moda”, ou seja, o que depende do tempo, do que estiver em voga, são o violeta e o laranja; são cores que, por algum tempo, são consideradas totalmente out; depois, por um breve período, voltam a ser in.

O violeta é inconformista, é original. Apesar de sua frieza, o violeta é uma cor sonora – e esse efeito se torna especialmente forte quando se combina com a alegria do laranja. Violeta-laranja: não existe nenhuma combinação de cores que fuja mais às convenções do que essa.

A cor do feminismo

O movimento feminista começou com a luta pelo direito de voto para as mulheres. “Sufrágio” significa “direito de voto”, e assim essas mulheres eram chamadas de “sufragetes”. A luta começou em 1870, na Inglaterra. Naquela época estavam excluídos do direito de votar: os presos, os doentes mentais reclusos em manicômios, os sociopatas enviados às casas de correção e as mulheres, independentemente de sua honra, inteligência ou fortuna.

Por toda a Europa, as mulheres lutaram pelo direito de poder votar. Em 1918, as sufragetes conseguiram seu objetivo na Inglaterra. Na Alemanha, essa vitória chegou um ano mais tarde, em 1919. Na França, somente em 1944.

No ano de 1908, a inglesa Emmeline Pethick-Lawrence popularizou três cores como símbolo do movimento feminino: violeta, branco e verde. Sua explicação: “O violeta, como cor dos soberanos, simboliza o sangue real que corre pelas veias de cada mulher que luta pelo direito ao voto, simboliza sua consciência da liberdade e da dignidade. O branco simboliza a honestidade na vida privada e na política. O verde simboliza a esperança de um recomeço.”

Era necessário que fossem três cores, pois desde a Revolução Francesa as flâmulas tricolores simbolizavam todos os movimentos libertários. E principalmente: era preciso que fossem cores que estivessem no armário de toda mulher, que não exigissem aquisições dispendiosas. Precisavam ser cores que funcionassem no dia a dia, e no entanto que fossem inequivocamente cores do movimento feminino, que pudessem ser reconhecidas como tal – e esse efeito não pode ser obtido com uma cor apenas. 

Toda mulher tinha em seu armário uma blusa branca e uma saia comprida de fibra de algodão branca, com rendas e nervuras. Ou então uma saia violeta – cor muito popular na virada do século, especialmente na indumentária de inverno. A cor verde sempre fez parte da indumentária de todos os dias. Durante as manifestações, foram usadas também largas faixas nas cores violeta, branco e verde, que iam desde o ombro até a cintura.

As sufragistas costumavam vestir suas cores também no dia a dia: conjuntos verdes com debruns ou detalhes em violeta; penas de avestruz nas cores violeta e verde espetadas em chapéus brancos; no ponto alto do movimento, passaram a existir também sapatos e bolsas nessas três cores: violeta, branco e verde. Muitos homens deram seu apoio às sufragistas, usando suas cores em pequenas faixas, que atavam em seus chapéus ou gravatas. As sufragistas casavam-se levando em seus buquês violetas e flores brancas.

Hoje em dia, pode parecer ridículo o fato de que um movimento feminista tenha se identificado pela vestimenta, mas, naquele momento, foi o que havia de mais adequado: era a melhor maneira de demonstrar publicamente como eram muitas as mulheres – e não poucos os homens – que apoiavam o movimento.

Por volta de 1970, o violeta voltou a se tornar popular como cor do movimento feminista. Os objetivos – que até hoje não foram alcançados – eram: direito das mulheres ao aborto e a salário equivalente ao dos homens. O símbolo internacional do movimento era o símbolo feminino – o símbolo astrológico do planeta Vênus – com uma mão fechada dentro. Os macacões de jeans na cor lilás, surgidos em 1980, marcaram o fim do que havia sido até então a moda feminista.

A luta pelos direitos da mulher durou cinquenta anos. À diferença das vitórias obtidas nas guerras, a vitória delas foi há muito tempo esquecida. Restou somente um termo na lembrança: “sufragista” – como xingamento.

A cor da homossexualidade

No violeta funde-se o masculino e o feminino. Nenhuma outra cor pode simbolizar melhor a homossexualidade. Quando a homossexualidade era ainda punida e desprezada, as camisas na cor lilás para cavalheiros e os foulards na cor violeta eram sinais discretos de reconhecimento para os “entendidos”.

“The purple hand” – uma mão violeta tornou-se o símbolo da gay liberation, movimento gay norte-americano. Em 1969, os homossexuais se manifestaram diante do edifício do periódico Examiner de São Francisco, que havia publicado artigos contra dos homossexuais. Os funcionários do jornal jogaram tinta violeta pela janela, em cima dos manifestantes, que molharam as palmas de suas mãos com a tinta, imprimindo suas palmas sobre os muros do edifício.

Desde 1980 foi adotada a bandeira do arco-íris como símbolo do movimento gay. Nas love parades (marchas do amor), os homossexuais exibem bandeiras do arco-íris, e todos os ambientes em que trabalham e vivem, colam adesivos com as cores do arco-íris. Qual será a origem desse costume?

Em 1969, no enterro de Judy Garland, famosa estrela dos musicais cinematográficos, alguns homossexuais carregavam a bandeira do arco-íris. Judy Garland havia cantado a canção favorita entre os gays: “Somewhere over the rainbow”, razão pela qual alguns de seus fãs assitiram a seus funerais empunhando essas bandeiras. Porém, foi necessário que se passassem muitos anos antes que o arco-íris se convertesse em símbolo de identidade do movimento gay.

Originalmente, o arco-íris é um símbolo bíblico da união dos homens com Deus. Após o dilúvio a que somente Noé sobreviveu com sua família, Deus prometeu: “Não destruirei pela segunda vez a vida.” Como sinal dessa promessa, imprimiu o arco-íris no céu e declarou: “A cada vez que o arco-íris brilhar entre as nuvens, irei me lembrar da promessa que fiz a vocês e a todos os seres vivos.” O simbolismo bíblico entre os homossexuais era bem conhecido, pois tradicionalmente os embates travados entre os círculos gays e os eclesiásticos são grandes. Para fazer do arco-íris um símbolo independente, no início se propagou a ideia de que o arco-íris deveria ser reproduzido com as cores invertidas – com a faixa violeta em cima. Isso correspondia também à descrição que se fazia àquela época dos homossexuais, que eram chamados de “invertidos”. Assim foi criado um símbolo que passava inadvertido às pessoas que estavam alheias ao movimento, e que adquiriu uma grande importância para os gays, que eram então marginalizados socialmente. Porém, a ideia do arco invertido desapareceu mais uma vez, porque simultaneamente a cor violeta se tornou popular como cor do feminismo. Pesquisas realizadas atualmente com homossexuais alemães (que desconhecem que o violeta era a cor da realeza) mostram que eles interpretam essa cor como a “cor das emancipadas”, “das lésbicas” ou das “mulheres frustradas”. De tal forma que o arco-íris voltou a ser representado como era de costume: o vermelho acima, o violeta embaixo. Principalmente após a popularização mundial do laço contra a Aids, os homossexuais se identificam mais com o vermelho, a cor masculina clássica.

Entretanto, outros grupos adotaram o arco-íris como símbolo; assim as “listras multicoloridas” eleitorais, que integram todas as cores políticas – pois o símbolo de todas as cores deve pertencer a todos.

Referência

Heller, Eva. A psicologia das cores:como as cores afetam a emoção e a razão. 1 ed.  São Paulo:Gustavo Gili. 2013.

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Top 20 piores seriais Killers: 6 Mary Ann Cotton

Se você pensa que o primeiro serial killer britânico foi um homem, está muito enganado. Vinte anos antes de Jack estripador, Mary já tocava o terror. Estima-se que ela tenha sido responsável por 21 mortes através de envenenamento por arsênico. Na lista de vítimas constam seus três(de cinco) maridos, sua mãe, pelo menos um de seus amantes e 11 crianças entre seus próprios filhos e enteados.

Mary Ann nasceu em outubro de 1932 em Low Moorsley (atualmente chamada de Sunderland), Inglaterra. Aos 8 anos sua família se mudou para uma aldeia  para de Durham County Murton, seu pai era mineiro e em um dos seus trabalhos ele caiu em uma mina que estava sendo escavada e morreu. Passado alguns anos a mãe de Marry se casou novamente, mas Marry não gostava do padastro.  Na idade de 16 anos, ela se mudou para tornar-se uma enfermeira domiciliar na casa de Edward Potter na aldeia vizinha de South Hetton. Depois de três anos lá, ela voltou para a casa de sua mãe com conhecimentos de costura.

Com 20 anos, Marry Ann se casou com William Mowbray , um minerador. Com ele, teve cinco filhos e todos eles morreram, alguns de febre gástrica e outros não foi informado. Depois desses acontecimentos, William começou a trabalhar como capataz e depois como bombeiro a bordo de um navio a vapor. Ele morreu de uma doença intestinal em janeiro de 1865. A vida de William estava segurada pela British and Prudential Insurance e Mary Ann coletou o pagamento de £ 35 por sua morte, o equivalente a cerca de metade do salário anual de um trabalhador braçal na época.

Com a morte de William, Mary se mudou para Seahan Harbour, Condado de Durham, começou um novo relacionamento com Joseph Nattrass, mas não deu certo pois o cara tinha outra mulher. Ela retornou à Sunderland e arranjou um emprego numa Enfermaria de Sunderland, na Casa de Recuperação e Cura de Febres Contagiosas dum posto de saúde da Humane Society.   Na enfermaria ela conheceu George Ward, e em agosto de 1865 se casaram.  Ele continuou a sofrer problemas de saúde, e morreu em outubro de 1866 após uma longa doença caracterizada por paralisia e problemas intestinais.  Mary também sacou o dinheiro do seguro de vida do segundo esposo.

James Robinson foi o terceiro esposo de Mary Ann. James havia perdido a esposa e contratou Mary para ser a  governanta da casa em novembro de 1866. Ele tinha um filho que morreu  de febre gástrica um mês depois da contratação de Mary. Ela de forma empática foi solidária e consolou(tudo armação) James, eles acabaram tendo relações sexuais, resultando em uma gravidez. Nesse meio tempo a mãe de Mary ficou doente e ela viajou para vê-la, embora a mãe estivesse com um quadro de saúde melhor, após a chegada da filha ela voltou a piorar, porém com sintomas diferentes, sendo ele dor no estômago. Nove dias depois da chegada de Mary Ann, sua mãe morreu. Com isso a filha que restou do primeiro casamento que vivia com a vó, teve que voltar com Mary, também começou a sentir muitas dores no estômago e morreu. O mesmo aconteceu aos dois filhos de James. As três crianças foram enterradas em Abril de 1867.

Quatro meses após o enterro, James e Mary se casaram. Em Novembro nasceu a filha do casal Mary Isabela, que ficou doente devido a fortes dores no estômago e em 1868 veio a óbito. Mostrando se preocupada com esse surto de doença no estômago, Mary começou a insistir que James fizesse um seguro de vida, por tanta insistência dela, ele começou a desconfiar. Acabou descobrindo que ela tinha uma dívida de £60 e tinha desfalcado mais de £50 que ela deveria ter colocado no banco. A gota d’água foi quando ele descobriu que ela tinha forçado seus filhos a fazer seus trabalhos domésticos. Ele separou-se dela.

Endividada, separada, em situação de rua e sem filhos, Mary foi em busca de um novo esposo. E ele veio através de uma amiga chamada Margareth Cotton que apresentou seu irmão Frederick, um viúvo vivendo em Walbottle, Northumberland, que havia perdido dois de seus quatro filhos. Margareth virou uma tia/babá para seus sobrinhos, porém em março de 1870, ela morreu com uma doença estomacal. Como Mary Ann era amiga de Margareth e conhecia Frederick, se ofereceu para ficar no lugar da amiga, ficou próxima do viúvo e logo conseguiu o que queria, ficar grávida. Em setembro do mesmo ano eles se casaram, em 1871 nasceu Robert, fruto do relacionamento deles. Mary descobriu que Joseph(seu antigo crush) estava morando em uma aldeia próxima e não estava mais casado, voltou a se relacionar com ele e convenceu toda família a se mudar para essa aldeia. Frederick  também foi tomado por uma doença intestinal e morreu em março de 1872. Seu filho morreu logo em seguida com os mesmos sintomas. O seguro de vida foi retirado,

Com a “morte” do esposo, Mary convidou Joseph a morar na casa dela. Ela arranjou um emprego como enfermeira para um oficial da reserva que estava se recuperando de varíola, John Quick-Manning. Logo ela ficou grávida dele(também). Então, Nattrass ficou doente com febre gástrica e morreu – apenas depois de revisar seu testamento em favor de Mary Ann.

Um certo dia, Mary foi convidada por um funcionário da paróquia, Thomas Riley, para ajudar a cuidar de uma mulher que estava doente com varíola. Ela reclamava que o último filho de Cotton, estava a caminho da cidade e perguntou a Riley se ele poderia ser enviado ao Workhouse. Riley, que também trabalhava como médico legista assistente em West Auckland, disse que ela teria que acompanhá-lo. Mary informou que o menino estava muito doente e durante a conversa disse: “ele não vai ser um incomodo por muito tempo. Logo vai seguir o destino da família Cotton.” Passado cinco dias, Mary informou a Riley que o menino havia morrido. Riley foi à polícia da vila e convenceu o médico a estender o prazo de entrega do atestado de óbito até que as circunstâncias da morte pudessem ser investigados.

O primeiro local onde Mary Ann foi após a morte de Charles não foi o médico, mas sim o serviço de seguro. Lá, ela descobriu que nenhum dinheiro seria pago até que uma certidão de óbito fosse emitida. Um inquérito foi realizado e acabou sendo concluído com morte por causas naturais. Mary Ann alegou ter usado araruta para aliviar a doença do afilhado e disse que Riley havia feito acusações falsas contra ela, pois ela havia rejeitado seus pedidos de casamento. Por seu um local pequeno e sem muitas novidades, os jornalistas se interessaram pela história e começaram a pesquisar sobre Mary Ann, descobriram que ela  tinha vindo do norte da Inglaterra e que tinha perdido três maridos, um amante, um amigo, sua mãe, e uma dezena de crianças, tendo todos os eles morrido de febres de estômago.

Essa pesquisa rendeu uma investigação forense, o médico que atendeu Charles tinha guardado amostras, e estas testaram positivo para o arsênio. Ele foi à polícia, que prendeu Mary Ann e ordenou a exumação do corpo de Charles, e ela foi acusada de seu assassinato. O julgamento de Mary ocorreu em cinco de março de 1873, ela foi condenada ao enforcamento pela morte de Charles causada por envenenamento, as outras mortes não puderam ser provadas, mas essa foi o bastante para que  Mary Ann Cotton fosse enforcada em Durham County Gaol em 24 de março de 1873.

Mary_Ann_Cotton

Referência

Mary Ann Cotton. Disponível em:>https://pt.wikipedia.org/wiki/Mary_Ann_Cotton<. Acesso em 19.mai.2018

Mary Ann Cotton, a mulher que matou três maridos, um amante e 11 dos seus filhos. Disponível em:>https://ionline.sapo.pt/532441<. Acesso em: 19. mai. 2018.

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Tag: 4 seriados que ajudam a aprender inglês

Se você, assim como eu, estuda inglês vai gostar dessa dica. Assistir seriado legendando ajuda muito no vocabulário, na fala, nas gírias, na cultura do local em que se passa o seriado(geralmente EUA). Pensando nisso, resolvi colocar alguns seriados que podem ajudar vocês.

PS: eu prefiro seriados que tenham artistas ingleses.

Ah outra dica que me ajuda é pegar um filme preferido( no meu caso HP) que você já sabe boa parte dele e tirar a legenda, ouví-lo e velo na língua original.

1. Friends

Com um total de 236 episódios, divididos em 10 temporadas, o seriado Friends marcou uma geração de fãs. De 1994 a 2004, a série apresentou o dia a dia dos seis personagens principais – Rachel, Ross, Phoebe, Joey, Chandler e Monica – que vivem em Manhattan, Estados Unidos, durante a década de 90.

Para aprender inglês, este seriado tem muita valia. Veja as razões:

  • São diálogos leves,
  • Episódios curtos e, consequentemente histórias curtas e rápidas,
  • É uma comédia que atrai o público,
  • Oferece expressões e gírias americanas,
  • Você pode aprender como são usadas as contrações e formas de linguagem,
  • Você pode se familiarizar com hábitos culturais americanos,
  • Oferece fácil compreensão auditiva.

friends

2. Modern Family

Mais uma sitcom. Iniciada em 2009 e ainda presente, Modern Family envolve 192 episódios até agora, com a garantia de boas risadas e um ótimo aprendizado da língua inglesa.

O seriado apresenta o dia a dia de três famílias ligadas entre si, em situações e experiências que podem estar associados com o que você mesmo(a) vivencia.

O que a faz ser interessante para aprender inglês:

  • Estuda-se um vocabulário de uso corrente,
  • Erros comuns no inglês cometidos por estrangeiros e que são dicas para quem está no processo de aprendizado,
  • Episódios de curta duração,
  • Linguagem acessível.

Lembre-se que o importante é que você se divirta e compreenda. Os filmes, embora sejam curtos e únicos, também são boas alternativas – mas as séries de televisão acabam facilitando o entendimento, principalmente para quem está começando um novo idioma.

Modern Family - Series 06

 

3. How i met your mother

How I MetYourMother é um seriado americano de comédia que foi ao ar durante os anos de 2005 a 2014, com 9 temporadas (208 episódios).

Em tradução literal, o título da série significa “Como Eu Conheci Sua Mãe”. E é basicamente o que o enredo leva aos espectadores. É um pai contando aos seus filhos como conheceu a mãe deles, com foco nas histórias e peripécias envolvidas.

Parecida com Friends, esta série pode lhe facilitar o aprendizado no inglês:

  • Os temas abordados são atuais,
  • Diálogos leves e engraçados,
  • Você estará frente a frente com expressões culturais e linguísticas do inglês americano,
  • Episódios curtos.

How I Met Your Mother tem personagens marcantes e gírias muito interessantes para quem está aprendendo inglês. É, como a grande maioria afirma, um Friends moderno.

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4. Lost

Lost foi uma das séries de drama, aventura e fantasia mais comentadas e favoritas do século XXI, com uma trama envolvente dos sobreviventes de um acidente aéreo que são forçados a trabalharem em conjunto com um único objetivo: sobreviver no local onde o avião caiu – uma ilha tropical “deserta”.

Foram 6 temporadas (118 episódios de 2004 a 2010) com dois planos temporais – no presente e flashbacks (que contam a história de vida dos personagens).

Faz parte da lista dos melhores seriados por:

  • Conter uma diversidade de sotaques,
  • Auxiliar o ouvido a identificar as diferenças entre o inglês falado pelos nativos (países que têm o inglês como língua materna) e pelos estrangeiros,
  • Apresentar um vasto vocabulário com distintos focos.

Os episódios são um pouco mais longos quando comparados com os seriados de comédia, mas isso não será um problema se você realmente está engajado(a) em aprender inglês através de séries – até porque você acabará se interessando pela história.

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EXTRA:  Game of thrones, um dos seriados mais vistos nos últimos tempos. Na série existem diversas regiões e sotaques diferentes. A maioria dos atores são do Reino Unido, o que foge um pouco da pronuncia americana e é legal já que assim como no português, existem diferentes formas de se pronunciar uma mesma palavra.

Fonte: Sim para todos. 

 

O poder das cores nas nossas vidas: # Laranja

Laranja

A cor da recreação e do budismo. Existem 45 tons de laranja.

Por todo canto, há mais laranja do que se vê – a cor subestimada.

O laranja desempenha um papel em nosso pensamento, em nosso simbolismo, um papel subvalorizado. Pensamos no vermelho ou no amarelo antes de pensarmos no laranja. Em função disso, existem apenas alguns poucos conceitos em que o laranja aparece como cor mais frequentemente citada. O vermelho e o amarelo, cores das quais o laranja se constitui, têm em sua simbologia muitas contradições. O laranja muitas vezes denota o verdadeiro caráter de um sentimento, pois o laranja combina as contradições do vermelho e do amarelo, fortalecendo seus pontos em comum.

O laranja, nome que recebeu de uma fruta que naqueles tempos era exótica, conservou-se uma cor exótica. O nome dessa cor é tão fora do comum que não existe em alemão uma palavra que rime com “orange” – nem em inglês. Idiomaticamente a cor é tão estranha que muitos acreditam que o laranja não poderia subsistir sem explicações adicionais, por isso dizem sempre “orangefarben” (cores de laranja) ou “orangerot” (vermelho laranja). As coisas podem ser pretas, muito pretas ou o mais pretas que se possa imaginar; existe também o mais branco dos brancos, mas não existe um superlativo para o laranja. Nesse contexto, o laranja é a personificação da versatilidade!

A estranheza do laranja é determinada por nossa percepção. O fato é que enxergamos menos cores laranja do que as que efetivamente nos cercam. Falamos de “vermelho crepúsculo”, embora “laranja anoitecer” fosse mais exato; e também em “vermelhos da aurora”, os tons vermelhos do alvorecer – apesar de que, aí também, a cor laranja seria mais acertada. Falamos de “monólitos vermelhos”, se bem que haveria mais precisão em chamá-los de “monólitos laranja”, como o Ayers Rock na Austrália. Falamos em “metal vermelho incandescente”, sendo que sua verdadeira cor é laranja. O “peixe dourado” (golden fish) não é, em verdade, dourado, e sim laranja luminoso. O tigre é preto e laranja. Raposas são cor de laranja. Assim também os jovens orangotangos. O bico do melro macho é laranja.  As telhas de nossos telhados são mais propriamente cor de laranja do que vermelhas. A salsicha que chamamos de “amarela” tem também, em verdade, uma pele cor de laranja brilhante. O que é mais indiscutivelmente cor de laranja do que uma cenoura? E no entanto dizemos vermelho cenoura, ou amarelo cenoura. A maioria das pessoas de cabelos vermelhos têm, na verdade, cabelos cor de laranja. Van Gogh fez seu autorretrato na cor laranja.

O laranja está em todo canto, precisamos apenas enxergá-lo.

A cor exótica

Antes que a fruta laranja se tornasse conhecida por toda a Europa, a cor laranja não existia; pode-se procurar em vão pela cor laranja nos livros antigos. Mesmo Goethe chamou ainda essa cor de “vermelho amarelado”. A laranja é proveniente das Índias, “nareng” é como se chama por lá. Das Índias migraram para as Arábias, onde recebeu o nome de “narang”. Logo os cruzados trouxeram-na para a Europa. Quando as laranjas começaram a ser cultivadas na França, os franceses transformaram narang em “orange” – e com essa denominação a fruta ganhava reflexos dourados, pois “ouro”, em francês, é “or”.

A laranjeira é uma árvore extraordinária; pode ter ao mesmo tempo flores e frutos, por isso mesmo se tornou símbolo da fertidade. Desde que as noivas passaram a se casar de branco, as flores de laranjeira, pequeninas, brancas, do formato de pérolas e de aroma inebriante, tornaram-se muito apreciadas para compor grinaldas de noivas.

Existe um outro tipo de laranja proveniente da China, a “apfelsine”. Seu nome significa “maçã da China”. Talvez seu nome venha de “maçã” (apfel) e “pecado” (sin). Será que a apfelsine foi a maçã do pecado, a que foi mordida no paraíso? Laranja ou apfelsine? Laranjas têm sementes e um gosto mais amargo, elas são ideais para a preparação de geleias. As apfelsines não têm sementes e são doces. Entretanto, a diferenciação entre laranjas e apfelsines em termos da ausência de sementes e da doçura já foi esquecida.

Tanto as apfelsines como as laranjas foram antigamente chamadas de “maçãs do Paraíso”. Em velhas pinturas, vemos as frutas na Árvore do Conhecimento frequentemente como laranjas – não era desejável dar uma conotação às endêmicas e tão apreciadas maçãs uma conotação de infelicidade. As tangerinas também vieram da China. Como elas eram da mesma cor das roupas dos funcionários chineses, que eram chamados de “mandarins”, os portugueses desrespeitosamente deram à fruta o mesmo nome concedido a esse departamento. Ter concedido o mesmo nome a um ministério e a uma fruta mostra o quão estranha a cor laranja era na Europa.

A cor que é puro sabor

O laranja é a cor cujo aroma é o mais diversificado. O vermelho é doce, o amarelo é ácido, os sabores agridoces da cozinha asiática são em sua maioria laranja. Muitas coisas que comemos são cor de laranja: damascos, pêssegos, mangas, cenouras, flocos de milho, milho, molhos de salada, camarões, salmão, lagosta, caviar vermelho, vários tipo de salsichas e salsichões; são cor de laranja as flores luminosas da capuchinha e da abóbora. Muitos tipos de queijo têm uma capa laranja avermelhada ou laranja amarelada. Tudo que é empanado e frito, ganhando aquela linda coloração vermelho amarelada, é, na verdade, laranja. Preparados à base de páprica e de caril, diversas aves ficam também cor de laranja. E é naturalmente cor de laranja tudo o que é preparado à base de açafrão, como a bouillabaisse francesa.

Sempre que se bebe um refresco cor de laranja, o primeiro pensamento que se tem é que ele terá o sabor dessa fruta – mesmo se for, por exemplo, uma limonada tingida dessa cor. Porém esse engano não dura muito. Nossas experiências com essa fruta são multifacetadas – e ainda que ninguém espere que o salmão defumado, por exemplo, tenha gosto de laranja, nós sempre esperamos que os alimentos dessa cor tenham bom sabor.

A cor da recreação e da sociabilidade

Cor da diversão, da sociabilidade e do lúdico, esse é o lado mais forte do laranja. Vermelho e amarelo sozinhos operam como opostos muito fortes para sinalizarem sociabilização recreativa, mas o laranja vincula, harmoniza: sem laranja não há lazer. O laranja é a cor complementar do azul. Azul é a cor do espiritual, da reflexão e do silêncio, o seu polo oposto, o laranja, representa as qualidades opostas a essas. Van Gogh disse: “Não existe laranja sem azul” – com isso ele quis dizer que o modo de o laranja atuar com mais força é quando ele vem acompanhado do azul. Quanto mais intenso o azul, mais escuro ele é. Quanto mais intenso o laranja, mais radioso.

No quadro Alegria de viver, de Matisse, o acorde cromático dominante é laranja-amarelo-vermelho, assim como na representação abstrata da Alegria de viver, de Delaunay.

Dioniso – os romanos chamam-no Baco – é o deus da fertilidade, da embriaguez e do vinho, em suma: o deus dos prazeres mundanos. A cor das vestes de Dioniso é laranja. No culto a Baco não existiam sacerdotes, e sim sacerdotisas, as bacantes. Elas trajavam vestidos cor de laranja e coroas de folhas de videira, e celebravam, extasiadas pelo vinho, seu deus.

A cor intrusiva da má publicidade

Dentre as poucas características em que a primeira cor que nos ocorre é o laranja está seu caráter penetrante, intrusivo. Com esse mesmo sentido, o laranja pertence ao acorde → da extroversão e → da ostentação; para essas características, o laranja é citado na mesma porcentagem que o dourado. Naturalmente o penetrante laranja era a cor que menos agradava a estética das cores decentes dos tempos de Goethe. Goethe descrevia o laranja como “vermelho amarelado”. Algumas vezes ele a chamava de “cinabrino”, “mínio” ou ainda “zarcão”, de acordo com a nomenclatura das cores artísticas daquela época – ou o chamava também de “vermelho escarlate”; de qualquer forma, era um vermelho bem amarelado. O “vermelho amarelado” era, para Goethe, “a cor em sua mais alta energia”; era amado pelas crianças, pelos homens primitivos e pelos bárbaros. Goethe escreveu: “Não é de se admirar que pessoas enérgicas, saudáveis e primitivas apreciem tanto essa cor. Entre os selvagens nota-se essa mesma inclinação. E quando as crianças se põem a colorir, elas não economizarão no uso do cinabrino e do zarcão.”

Goethe também deveria estar pensando em si mesmo ao escrever: “Eu também conheci homens cultos que consideravam insuportável, em dias cinzentos, encontrar-se com pessoas trajando vermelho escarlate.” Nos tempos de Goethe, quando se via essa cor, era certamente o uniforme de alguém da polícia: o encontro com policiais – ou outros representantes do Estado autoritário daquela época – só poderia mesmo despertar sentimentos pouco agradáveis, por razões que não dependiam da cor do uniforme que trajassem. Até algum tempo, muitos publicitários recorriam ao caráter visualmente intromissivo – assim, fizeram do laranja uma cor onipresente. Toda publicidade era impressa em papel laranja; os textos publicitários vinham sempre escritos em letras alaranjadas – e cada vez mais consumidores repudiavam essa forma intrusiva de publicidade, olhavam com automatismo para os dois lados do papel laranja e o atiravam no lixo, sem ler. O laranja converteu-se, desde então, na cor que identifica a propaganda indesejada.

Um raro exemplo de recurso bom e criativo, na publicidade, pode ser visto na Fig. 62: nele se combinam a cor e a textura típicas de uma casca de laranja, mas no formato típico de uma pera. Uma gag que merece uma segunda observação.

Controversa, porém não convencional

O laranja, como cor da recreação, é também a cor do que não se leva a sério. Em função disso, o laranja não é uma cor para artigos caros, de prestígio. Bhagwan Shree Rajneesh, hoje em dia conhecido por Osho, prescrevia a seu seguidores que trajassem o laranja. Mas ele próprio próprio jamais se vestiu de laranja, ele sempre se vestiu, como que se igualando aos deuses, de branco e dourado. Apesar de possuir mais de cem Rolls-Royces, nenhum deles era laranja. Um Rolls-Royce na cor laranja seria uma contradição por si só: o luxo ficaria ridicularizado em função da cor.

Que o laranja é a mais controversa das cores, já se sabe por experiência: durante séculos, o laranja foi a cor típica do plástico. No início da era dos plásticos, nos anos setenta, as pessoas sentiam orgulho de seus materiais sintéticos; como não existia nenhum material natural na cor laranja, essa cor foi estabelecida para identificar tudo quanto fosse artificial. Tudo quanto fosse de plástico, fosse um balde ou um espremedor de limão, era apresentado ao consumidor na cor laranja – e às vezes só nessa cor. Fosse uma chave de fenda ou um batedor de ovos, tudo tinha um punho de plástico na cor laranja. Se produtos que são úteis são oferecidos numa só cor, as pessoas acabam comprando, mesmo não gostando dela.

A cor do perigo

Venenos são identificados com uma caveira sobre um fundo cor de laranja.

Todas as setas de luz intermitente dos automóveis são na cor laranja. O laranja luminoso é a cor que melhor se vê no crepúsculo. É com o laranja que se tem o melhor contraste em relação à cor do mar; em função disso, todos os botes salva-vidas, boias e jalecos para naufrágio são dessa cor. Os operários que trabalham nas vias públicas também usam roupas de segurança dessa cor. Os lixeiros, na Alemanha e no Brasil, se vestem de cor de laranja – na França eles vestem uniformes verdes; nos Estados Unidos, uniformes brancos. Na França, a fase amarela do semáforo é chamada de “laranja fogo” (feu orange) – embora seja o mesmo amarelo dos semáforos dos outros lugares.

Apesar das recomendações dos peritos em segurança do trânsito, ninguém escolhe para si um carro cor de laranja, cor de excelente visibilidade na obscuridade e na neblina. Enquanto o automóvel for um ítem de prestígio, a segurança importará menos que a aparência. Um automóvel preto parece ser mais caro do que um alaranjado – apesar de que, na realidade, a pintura na cor laranja é mais cara do que a preta, porque os corantes para ela custam muito mais.

O tipo “outono”: denunciado pela cor laranja

Peças de roupa na cor laranja são mais vistas em mulheres do que em homens, embora poucas mulheres fiquem bem vestidas com essa cor. O laranja é uma cor presente na moda de verão, especialmente adequado para mulheres de pele escura ou bronzeada. Nas mulheres de pele clara, o tom laranja predomina sobre a pessoa, a torna insignificante. Na verdade existe apenas um tipo de pessoa em quem o laranja assenta de forma ideal: é o chamado “tipo outono” no esquema de Jackson → Rosa 12. Ao tipo outono pertencem aquelas pessoas cuja pele tem um tom laranja dourado – mesmo sem bronzeado. A determinação do tom de pele é difícil e só pode ser feita durante a luz do dia. Os tipos outonais são os que ficam mais bem vestidos na cor laranja e em outros tons castanhos, pois essa cor ressalta neles o seu tom natural de pele, laranja dourado.

Em virtude de na Alemanha as roupas marrons serem bastante apreciadas, muitas mulheres alemãs acreditam serem do tipo outonal. Na realidade, entretanto, esse tipo é bem raro. A ele pertencem: Sofia Loren e Sarah Ferguson, a duquesa de York. A duquesa é uma verdadeira “personalidade cor de laranja”: seu cabelo é alaranjado, suas sardas são alaranjadas, todo seu jeito divertido de ser é verdadeiramente laranja. Ela nunca fica tão bonita como quando veste laranja. Só quem tem no laranja sua cor ideal é um tipo outonal. O melhor teste, segundo Jackson: os tipos de outono são aqueles em quem ficam bonitos os lábios pintados de laranja.

A intensificação do amarelo

O laranja fica entre o vermelho e o amarelo em todos os sentimentos que se intensificam. A atividade pode ser amarela, quando for leve e pacífica, laranja, quando for frenética e, finalmente, vermelha, que é a atividade no mais alto grau de excitação. Amarelo-laranja-vermelho é o acorde cromático de uma intensificação. É a dinâmica de um laranja que se esforça para atingir o vermelho. O vermelho é o ponto mais alto, o laranja é o caminho em direção ao objetivo. O laranja pertence também ao acorde → da excitação e da paixão.

E o laranja é a combinação de luz e calor. Dessa forma, ele é agradável em termos de ambiente. Sua clareza não é tão aguda como a do amarelo, sua temperatura não é sufocante como a do vermelho. O laranja clareia e aquece, e essa é a mistura ideal para alegrar o corpo e a mente. Misturado ao branco ou tonalizado de marrom, o laranja perde a sua força, mas jamais seu calor. O laranja é uma cor feminina, pois aspira ao masculino vermelho.

A cor da transformação e do budismo

Na China, o amarelo é a cor da perfeição, de todas as características nobres. O vermelho é a cor da felicidade e do poder. O laranja não é apenas a cor entre a perfeição e a felicidade, tem o seu significado próprio, fundamental: laranja é a cor da transformação. Na China e na Índia, essa cor não é conhecida por ser a cor da fruta cítrica laranja, seu nome vem do açafrão, o corante laranja dessa planta que é tida como a “rainha das plantas”. A ideia da transformação é um dos princípios fundamentais do confucionismo, a antiga religião chinesa. É uma religião sem igreja, sem sacerdotes, sua sumidade é o imperador. O domínio mundano e espiritual estão unidos, assim o confucionismo está igualmente orientado para a vida secular e a vida espiritual. Essa religião é, fundamentalmente, uma filosofia de vida.

Todo ser é concebido como resultante da ação recíproca do Yang, princípio masculino e ativo, e do Yin, princípio feminino e passivo. Yin/Yang não são opostos rígidos, mas se transformam um no outro, pois nada permanece sempre igual. Ninguém vive por si mesmo, todos reagem aos demais. Toda transformação é resultado da ação recíproca entre progresso e perseverança – e apenas a perseverança conduz ao progresso. Os problemas da vida foram interpretados num livro de sabedoria que tem três mil anos de vida, o I Ching; nele os filósofos chineses incorporaram sua sabedoria, de Lao-tsé até Confúcio. O título chinês desse livro, traduzido, significa O livro das mutações.

O laranja significa a transformação, como nenhuma outra cor. Pois o amarelo e o vermelho são inclusive cores opostas, contudo são também aparentadas, se pertencem como o fogo e a luz, como sensualidade e espiritualidade. Diferentemente do cristianismo, o confucionismo não considera a sensualidade como uma força inimiga da espiritualidade. Na arte asiática, o laranja desempenha o mesmo papel que o par cromático vermelho-azul desempenha na arte europeia. Vermelho-azul é nosso acorde cromático com as significações mais diversificadas, capaz de descrever todos os opostos. Na pintura asiática, por toda parte se veem deuses e homens vestidos de laranja. Até mesmo o céu pode ser dessa cor.

Contemporâneo de Confúcio (551-479 a.C.) foi o fundador da religião budista, Buda (560-480 a.C.). A religião monástica logo se disseminou também pela China. Confucionistas e budistas jamais se combateram. No budismo, o laranja, portanto o açafrão, é a cor da iluminação; no pensamento budista ela é o mais alto grau da perfeição. Desse modo, o laranja é também a cor simbólica do budismo. As túnicas dos monges são cor de laranja e são cortadas numa mesma peça de tecido, que é amoldada ao corpo. O peixe dourado é um dos símbolos mais importantes, ele significa a iluminação.

A bandeira da Índia é laranja-branca-verde. Como cor de bandeira, o laranja representa aqui o budismo, simboliza contudo também “coragem” e “espírito de sacrifício”. O Dalai-Lama, figura principal da religião tibetana, está sempre completamente vestido com cores do espectro laranja. A razão mais importante em virtude da qual o laranja é tão altamente apreciado na Índia: é a cor da pele dos indianos. Assim como os homens de pele branca idealizam a cor branca – embora sua pele de modo algum seja um branco radioso –, do mesmo modo os indianos idealizam a cor de sua pele no açafrão. Nas pinturas hindus, as divindades são pintadas com uma pele de uma cor luminosamente alaranjada. Por toda parte, os homens pensam em seus deuses como semelhantes a si mesmos.

O multifacetado laranja da Índia

Na Índia, a cor laranja é percebida com muito mais diferenciações do que na Europa. O que entre nós é definido como um tom de amarelo, na Índia é um tom de laranja. O “amarelo indiano”, obtido a partir da urina das vacas, é um tom de laranja claro, que Dalaunay utilizou em seu quadro A alegria de viver → Fig. 66. Como muitos tons terra, como o ocre queimado e terra de Siena, podem-se pintar em tons laranja – para os europeus esses são tons de marrom.

Muitas plantas podem tingir no tom laranja. A mais importante é o açafrão, que originalmente vinha das Índias Orientais. O açafrão era muito caro na Europa para que se pudesse tingir com ele vestidos inteiros, mas na Índia, os nobres usavam vestidos tingidos de açafrão; as cores podiam ir desde o amarelo-claro até o laranja bem escuro. Muito mais em conta e mais difundida era a tinturaria com açafroa, o “falso açafrão”. Trata-se de um cardo com flores cor de laranja, que inicialmente era cultivado na Índia e na China. Das florezinhas secas obtinham-se dois tipos de corantes: um amarelo, solúvel em água, e um vermelho, solúvel apenas em álcool. O corante amarelo apresentava baixa resistência à luz e desbotava com a lavagem. O corante vermelho era resistente à luz e à lavagem. Na Europa esses dois corantes eram separados: o amarelo era dissolvido em água e utilizado como tintura amarela; o corante que restava era usado para tingir de vermelho escarlate. Na Ásia os dois corantes não eram separados. Calculava-se a alteração de cor típica do tecido que se iria colorir com açafroa; quanto maior frequência com que o tecido fosse lavado, mais vermelho ele ficava. A separação dos corantes também contradiria o pensamento asiático: pois em se tratando da açafroa, o amarelo é o corante efêmero, enquanto na simbologia indiana o amarelo é a cor dos valores eternos.

É possível também tingir de laranja com as sementes do fruto da Bicha orellana, um arbusto cujos frutos por aqui são conhecidos como urucum. As sementes são esmagadas e dissolvidas em água; daí se obtém uma pasta vermelha, homogênea, que tem utilidade também como corante alimentício. As cascas vermelhas dos queijos tipo reino, fabricados no Brasil por holandeses desde o século XIX – uma adaptação do queijo holandês Edam, em forma de esfera – são até hoje tingidas com urucum.

A henna é famosa como corante de cabelos e pele. Com ela se pode tingir também tecidos e couros: os couros tomam uma coloração vermelho acastanhada, a seda e o algodão adquirem um laranja luminoso. O corante é obtido a partir das raízes do arbusto da henna, que é conhecido há muito tempo: algumas múmias de princesas egípcias tinham o cabelo tingido com henna. Para cerimônias tradicionais, as indianas ornamentam suas mãos e seus pés com henna. Os homens tingem suas barbas com ela. Os árabes chegam a tingir até as crinas de seus preciosos cavalos com henna.

A cor dos Orange e dos protestantes

Laranja é a cor nacional dos Países Baixos. É a cor de sua casa real: a casa dos Orange – Oranje. Ainda por volta de 1800, os alemães chamavam a essa cor Oraniengelb (amarelo de Orange). A dinastia dos Orange era originária da cidade de Orange, na França, na Provença. Orange foi, até o século XVIII, um principado independente, e os príncipes de Orange eram ao mesmo tempo os governantes dos Países Baixos. A figura mais importante da nobreza dos Orange, o príncipe William I, organizou, em 1568, a luta dos holandeses contra os espanhóis, que haviam ocupado o país. William I foi assassinado. Sua família deu prosseguimento à guerra pela libertação. A Holanda só foi libertada em 1648, sob o governo de William II. Seu filho, William III, foi rei da Inglaterra e da Irlanda após a derrocada dos católicos Stuart, em 1689; ele foi chamado de William de Orange.

Como todos os Orange, William de Orange era protestante; desse modo, na Inglaterra e na Irlanda os protestantes eram chamados de “Orangemen” (homens de Orange). O laranja tornou-se a cor da luta contra os católicos. A cor dos católicos irlandeses era o verde, pois verde é a cor nacional da Irlanda e deveria ser também cor da religião tradicional do país → Verde 19. A bandeira irlandesa é tricolor, verde-branco-laranja. A lista branca entre o verde católico e o laranja protestante deve simbolizar a paz alcançada entre as duas religiões. O reino da Holanda tem em sua bandeira nacional as cores vermelho, branco e azul – apesar de que, em honra aos Orange, esse vermelho é chamado de laranja, e os holandeses dizem que sua bandeira é oranje-blanje-bleue.

Quando um membro da casa real aniversaria, seus leais súditos enfeitam suas casas com bandeirolas cor de laranja. A rainha Beatriz aparece em muitas fotografias com rosas alaranjadas. Ela também gosta de se vestir de laranja, indo do pêssego ao vermelho aloirado. Em eventos esportivos internacionais, os holandeses homenageiam suas equipes vestindo camisas cor de laranja e se autodenominam “os camisas laranja”. Na Holanda a cor laranja é muito mais apreciada do que na Alemanha. Isso naturalmente se faz ver também no idioma: para os holandeses, “alaranjado”, “mais alaranjado”, “o mais alaranjado de todos” não é uma impossibilidade idiomática – é, simplesmente, uma evidência, poder se dimensionar uma cor tão forte como o laranja.

Referência

Heller, Eva. A psicologia das cores:como as cores afetam a emoção e a razão. 1 ed.  São Paulo:Gustavo Gili. 2013.

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Epigenética, o que é?

Oi gente, hoje queria compartilhar com vocês um assunto que gosto bastante, epigenética. Descobri esse nome durante a faculdade e também antes de conhecer, sempre acreditei que temos uma memória celular(estava certa). Não vou trazer uma explicação biológica  a partir de mudanças químicas que podem ocorrer na molécula de DNA e em proteínas, mas quem tiver interesse em saber mais, pode usar o artigo de referência e o “more”.

O termo “epigenética” tem origem do grego, onde “epi” significa “acima, perto, a seguir”, e estuda as mudanças nas funções dos genes, sem alterar as sequências de bases (adenina, guanina, citosina e timina) da molécula de DNA (ácido desoxirribonucleico). As modificações epigenéticas podem ser herdadas no momento da divisão celular (mitose) e irão ter um profundo efeito na biologia do organismo, definindo diferentes fenótipos (i.e. morfologia, desenvolvimento, comportamento etc).

Epigenética  é definida como modificações do genoma que são herdadas pelas próximas gerações, mas que não alteram a sequência do DNA. Por muitos anos, considerou-se que os genes eram os únicos responsáveis por passar as características biológicas de uma geração à outra. Entretanto, esse conceito tem mudado e hoje os cientistas sabem que variações não-genéticas (ou epigenéticas) adquiridas durante a vida de um organismo podem frequentemente serem passadas aos seus descendentes. A herança epigenética depende de pequenas mudanças químicas no DNA e em proteínas que envolvem o DNA.  Existem algumas características que distinguem a epigenética dos mecanismos da genética convencional: a reversibilidade, os efeitos de posicionamento, a habilidade de agir em distâncias não esperadas maiores do que um único gene.

 

Referência

Epigenética e  memória celular. Disponível em:>http://www.revistacarbono.com/wp-content/uploads/2013/06/Marcelo-Fantappie-Epigen%C3%A9tica-e-Mem%C3%B3ria-Celular.pdf<. Acesso em:23. Mai.2018.

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